A indústria projeta uma boa safra em 2026, o que pode reduzir os preços. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Última modificação em 30 de janeiro de 2026 às 09:49
O café foi o item da cesta básica que mais encareceu em 2025, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Mesmo com a expectativa de uma safra melhor, os preços devem continuar em patamar elevado ao longo de 2026.
De acordo com o presidente da Abic, Pavel Cardoso, os estoques mundiais estão baixos e a produção deste ano deve ser usada principalmente para recompor reservas, o que reduz o impacto no preço ao consumidor.
Faturamento cresce com alta dos preços
A indústria de café torrado e moído registrou faturamento de R$ 46,24 bilhões em 2025, crescimento de 25,6% em comparação com 2024. O aumento foi puxado principalmente pela alta do produto nos supermercados.
Entre 2021 e 2025, o preço do café subiu 116% para o consumidor, embora o aumento pago pela indústria aos produtores tenha sido ainda maior. O preço do café arábica, o mais consumido no Brasil, acumulou alta de 212% no período.
Problemas climáticos sucessivos, como geadas, secas e ondas de calor, reduziram a produção mundial e pressionaram os preços.
Consumo recua, mas permanece estável
Com o aumento dos preços, o consumo de café caiu 2,31% em 2025. Apesar disso, a Abic considera que o consumo brasileiro segue resiliente, mantendo estabilidade mesmo após anos de reajustes consecutivos.
O que fez o café subir de preço
O estudo da Abic analisou seis produtos da cesta básica. Quatro ficaram mais baratos em 2025:
- Açúcar: queda de 13,3%
- Leite: queda de 4,9%
- Arroz: queda de 31,1%
- Feijão: queda de 14,3%
Já o óleo de soja subiu 1,2%, enquanto o café teve alta de 5,8%.
Entre os fatores que explicam a valorização do café estão:
A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre o café brasileiro, que elevou os preços internacionais do grão;
Estoques globais reduzidos após quatro anos seguidos de problemas climáticos nos principais países produtores;
Queda da produção, especialmente do café arábica, variedade mais consumida no país;
Repasse gradual do aumento de custos ao consumidor. Segundo a Abic, se todo o aumento acumulado desde 2021 fosse transferido às prateleiras, o café ainda subiria cerca de 70%.
Expectativa para 2026
A indústria projeta uma boa safra em 2026, favorecida pelo clima mais equilibrado após o período de influência do fenômeno La Niña.
Ainda assim, Cardoso avalia que apenas duas boas safras consecutivas poderiam gerar queda consistente nos preços, já que a prioridade atual é recompor estoques mundiais.
Enquanto isso, o consumidor deve continuar encontrando o café em preços elevados nos supermercados.