
Última modificação em 27 de março de 2026 às 10:02
O governo federal anunciou nesta quinta-feira (26) uma parceria para produzir no Brasil uma das principais imunoterapias contra o câncer: o pembrolizumabe, já aprovado no país e indicado para cerca de 40 tipos da doença.
O acordo envolve o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD. A iniciativa prevê a transferência de tecnologia para permitir a fabricação nacional do medicamento, com o objetivo de ampliar o acesso no Sistema Único de Saúde.
Atualmente, embora já tenha registro na Anvisa, o uso do medicamento no sistema público ainda é limitado, principalmente devido ao alto custo. Na rede privada, o tratamento é mais comum.
Como funciona a imunoterapia
Diferentemente da quimioterapia tradicional, que atua diretamente na destruição das células tumorais, a imunoterapia estimula o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater o câncer.
Medicamentos como o pembrolizumabe bloqueiam mecanismos usados pelas células cancerígenas para “escapar” da defesa do organismo, permitindo que o sistema imune volte a identificar e atacar o tumor. Em alguns casos, essa abordagem pode aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Uso amplo, mas com acesso restrito
Apesar de ter indicação para dezenas de tipos de câncer, o impacto do tratamento varia conforme a doença. Hoje, no SUS, a imunoterapia está incorporada apenas para casos de melanoma avançado.
Para outros tipos —como câncer de pulmão, mama, esôfago e colo do útero— a utilização ainda depende de avaliação da Conitec.
Custo elevado é principal barreira
O alto preço é o principal entrave para ampliar o acesso. Na rede privada, uma única sessão pode chegar a cerca de R$ 97 mil, e o tratamento contínuo pode custar centenas de milhares de reais.
No SUS, o financiamento da oncologia funciona com valores fixos por paciente, o que dificulta a incorporação de terapias mais caras.
Produção nacional pode ampliar acesso
Com a transferência de tecnologia prevista no acordo —que pode durar até 10 anos—, a expectativa é que a produção nacional reduza custos e permita expandir o uso da imunoterapia na rede pública.
A medida pode representar um avanço no tratamento oncológico no Brasil, desde que acompanhada de ajustes no modelo de financiamento do sistema de saúde.
Fonte: G1
Por: M3 Comunicação Integrada