O cartão de crédito segue como a principal fonte de endividamento. Foto: Eduardo Andrade / ALE-RR
Última modificação em 13 de janeiro de 2026 às 11:48
O brasileiro encerrou 2025 mais endividado do que no ano anterior. Em dezembro, 78,9% das famílias tinham algum tipo de dívida, o maior percentual já registrado para o mês desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta terça-feira (13) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O índice representa um aumento de 2,3 pontos percentuais em relação a dezembro de 2024. A inadimplência também avançou na comparação anual e atingiu 29,4%, ligeiramente acima do patamar observado no mesmo período do ano anterior.
Alívio no fim do ano não compensa alta anual
Apesar do avanço no acumulado do ano, os dados mostram uma melhora no último trimestre de 2025. Após alcançar o recorde de 79,5% em outubro, o endividamento recuou para 78,9% em dezembro, o menor nível desde julho.
O percentual de famílias com contas em atraso seguiu o mesmo movimento e fechou o mês em 29,4%, o menor patamar desde abril, afastando-se do pico de 30,5% registrado em outubro.
Mesmo assim, o balanço anual indica maior pressão sobre o orçamento das famílias. Segundo a CNC, o comportamento reflete um cenário de juros elevados e crédito mais restritivo ao longo de 2025.
Juros altos e crédito mais curto
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, a trajetória do endividamento acompanha a elevação da taxa Selic e reforça a necessidade de redução responsável dos juros. “A economia brasileira mostrou sinais de consistência em 2025, com inflação, câmbio e emprego melhores do que o esperado. Mas a continuidade desse cenário depende de um ambiente mais favorável à livre iniciativa”, afirmou.
A pesquisa aponta que o crédito ficou mais seletivo ao longo do ano, o que resultou em prazos mais curtos para pagamento das dívidas. Em dezembro, o prazo médio foi de 7,1 meses, inferior aos 7,4 meses registrados no mesmo mês de 2024.
Renda e perfil das dívidas
A queda mensal do endividamento foi observada em todas as faixas de renda, com maior destaque para famílias com rendimento acima de 10 salários mínimos.
Já a inadimplência apresentou recuo mais significativo entre famílias com renda de 3 a 5 salários mínimos, tanto na comparação mensal quanto anual, caindo para 26,8%.
O cartão de crédito segue como a principal fonte de endividamento, presente em 85,1% das famílias endividadas, percentual 1,3 ponto maior do que em 2024. O dado acende um alerta, já que essa modalidade tem uma das maiores taxas de juros do mercado, em torno de 90,1% ao ano.
Por outro lado, o percentual de famílias que afirmaram não ter condições de pagar suas dívidas caiu para 12,6%, encerrando 2025 abaixo do nível do ano anterior. A parcela média da renda comprometida com dívidas permaneceu estável em 29,5%.
Expectativa para 2026
A expectativa da CNC é de que tanto o endividamento quanto a inadimplência continuem recuando no primeiro trimestre de 2026. Para o economista-chefe da entidade, Fabio Bentes, esse movimento depende diretamente de uma redução gradual da taxa básica de juros.
“O último trimestre foi favorecido pelo 13º salário e pelas datas festivas, mas existe um risco de formação de uma bola de neve, principalmente no crédito rotativo do cartão”, alertou.
Fonte: CNC
Por: M3 Comunicação Integrada