Última modificação em 16 de março de 2026 às 09:43

O Brasil ampliou o número de municípios sem registro de novos casos de hanseníase em menores de 15 anos, indicador considerado fundamental para medir a interrupção da transmissão da doença. O percentual passou de 73,1% dos municípios em 2019 (4.296 cidades) para 80,6% em 2024, o que representa cerca de 4,4 mil municípios sem novos registros nessa faixa etária.
Segundo o Ministério da Saúde, o avanço está relacionado ao fortalecimento das ações de vigilância, diagnóstico precoce e tratamento, desenvolvidas em parceria com estados e municípios. Entre os investimentos realizados, mais de R$ 21,3 milhões foram destinados a pesquisas e projetos de ciência e tecnologia voltados ao enfrentamento da hanseníase.
Os dados foram apresentados durante a Conferência Nacional de Alto Nível em Hanseníase, realizada no Rio de Janeiro, que reúne gestores públicos, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir estratégias de eliminação da doença.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, houve retomada da busca ativa de casos no país, estratégia que havia sido interrompida durante a pandemia de Covid-19.
“Retomamos a busca ativa de casos de hanseníase no Brasil. Também ampliamos a oferta de diagnóstico e hoje realizamos muito mais testes do que nos últimos anos. Isso permite identificar os casos mais cedo e iniciar o tratamento de forma oportuna”, afirmou.
O ministro também destacou que o combate ao estigma e ao preconceito ainda é um dos principais desafios para eliminar a doença. Segundo ele, o preconceito pode afastar pessoas dos serviços de saúde e dificultar o diagnóstico e o tratamento.
Meta é interromper transmissão em 87,5% dos municípios
A Estratégia Nacional para Enfrentamento da Hanseníase 2024–2030 prevê alcançar a interrupção da transmissão em 4,8 mil municípios brasileiros até 2030, o equivalente a 87,5% do país.
O indicador considera a ausência de novos casos em menores de 15 anos por cinco anos consecutivos. A presença da doença em crianças indica transmissão recente, já que a infecção ocorre após contato prolongado com a bactéria e mostra que o microrganismo ainda circula na comunidade.
A conferência segue até esta sexta-feira (14) e reúne cerca de 350 participantes, entre autoridades, pesquisadores, organismos internacionais e representantes da sociedade civil.
O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, destacou que o Brasil já obteve reconhecimento internacional por avanços no controle de doenças transmissíveis.
“Tive a honra, junto com o ministro Alexandre Padilha, de entregar ao Brasil, em dezembro, a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV, da mãe para o filho. Foi o primeiro país continental a alcançar esse resultado. Isso nos enche de esperança de que o país também avance na eliminação da hanseníase”, afirmou.
Diagnósticos e atendimentos aumentaram
Nos últimos anos, também houve crescimento nas ações de diagnóstico e tratamento. Entre 2022 e 2024, o número de diagnósticos da doença aumentou 42%.
A proporção de casos novos identificados por meio do exame de contatos, considerado fundamental para detectar a doença precocemente, subiu de 9,6% para 13,3% no período.
Para ampliar a capacidade de diagnóstico, o Ministério da Saúde informou ter distribuído mais de 325 mil testes rápidos e capacitado 4,7 mil profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e agentes comunitários.
Os atendimentos relacionados à hanseníase também cresceram, passando de 140 mil em 2022 para mais de 194 mil em 2024, aumento de 38%. No mesmo período, as ações de prevenção de incapacidades físicas passaram de 12,5 mil para mais de 16 mil atendimentos.
O número de pacientes em tratamento subiu de 22,3 mil para 27,4 mil, enquanto o Ministério da Saúde distribuiu 3,4 milhões de medicamentos em 2025, incluindo mais de 390 mil esquemas de poliquimioterapia, tratamento padrão contra a doença.
O que é a hanseníase
A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Entre os sintomas estão manchas na pele, dormência e fraqueza muscular.
Apesar do estigma histórico, a doença tem cura, especialmente quando diagnosticada e tratada precocemente. A transmissão ocorre pelo contato próximo e prolongado com uma pessoa infectada sem tratamento, geralmente por secreções respiratórias.
O tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da poliquimioterapia, disponível nas unidades de saúde de todo o país. Com o início da medicação, o paciente deixa de transmitir a doença.
Fonte: Ministério da Saúde
Por: M3 Comunicação Integrada