Imagem de porto com contêiner carregado de mercadorias. (Foto: Bloomberg)
Última modificação em 23 de fevereiro de 2026 às 10:25
A política comercial dos Estados Unidos voltou a mudar em poucos dias e trouxe novo impacto para exportadores brasileiros. Após a Suprema Corte americana derrubar as chamadas tarifas “recíprocas” impostas pelo governo de Donald Trump, a Casa Branca reagiu rapidamente e instituiu uma tarifa global adicional de 15% sobre importações.
A nova cobrança entrou em vigor às 00h01 (horário de Washington) de terça-feira (24) e poderá durar até 150 dias, salvo extensão pelo Congresso. Para o Brasil, o efeito imediato é misto: parte das sobretaxas anteriores caiu, mas surge agora um novo encargo generalizado.
O que levou à nova tarifa
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos anulou tarifas amplas adotadas com base em uma lei de emergência. Os juízes entenderam que o presidente não tinha competência para aplicar cobranças generalizadas a quase todos os parceiros comerciais.
Com isso, deixaram de valer:
- a tarifa global de 10% criada em abril de 2025
- sobretaxas adicionais de até 40% sobre produtos brasileiros
Menos de 24 horas depois, o governo americano anunciou nova tarifa global — inicialmente de 10%, elevada para 15% no dia seguinte — agora com base em legislação comercial de 1974, considerada juridicamente válida.
Como fica o Brasil agora
O Brasil passou a integrar o grupo de países atingidos pela nova tarifa universal de 15%. Na prática, a medida funciona como um adicional temporário sobre a tarifa normal de cada produto exportado aos EUA.
Alguns itens, porém, seguem fora dessa regra por já estarem enquadrados em medidas de segurança nacional ou regimes específicos.
Situação atual das tarifas para produtos brasileiros:
| Produto | Situação | Tarifa |
|---|---|---|
| Aço | Mantida | 50% |
| Alumínio | Mantida | 50% |
| Peças de cobre | Mantida | 50% |
| Madeira | Mantida | 10% |
| Demais bens | Nova tarifa adicional | 15% |
As tarifas de 50% sobre metais não foram afetadas pela decisão judicial e continuam em vigor.
O que mudou em relação ao tarifaço de 2025
O Brasil enfrentou sucessivas elevações tarifárias ao longo de 2025. O novo cenário representa uma reconfiguração — com perdas e ganhos.
Linha do tempo resumida:
- abr/2025 — tarifa geral de 10% para o Brasil
- jun/2025 — aço e alumínio sobem para 50%
- jul/2025 — sobretaxas extras de até 40% em vários produtos
- nov/2025 — parte das sobretaxas é retirada
- fev/2026 — Suprema Corte derruba tarifas de emergência
- fev/2026 — EUA criam nova tarifa global de 15%
Brasil fica melhor ou pior?
Levantamento da Global Trade Alert indica que, apesar da nova taxa, a tarifa média sobre exportações brasileiras caiu em relação ao pico do tarifaço de 2025. A redução estimada é de 13,6 pontos percentuais no nível médio de cobrança.
Ou seja: o Brasil ainda enfrenta sobretaxa, mas menor que no auge das medidas comerciais americanas, quando alguns produtos chegaram a pagar até 50%.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que a decisão da Corte reduz incertezas no comércio bilateral, embora o cenário permaneça instável.
Incerteza continua
A nova tarifa de 15% tem caráter temporário e pode vigorar por até 150 dias. O governo americano também sinalizou que poderá recorrer a outros instrumentos legais para impor tarifas adicionais no futuro.
Para exportadores brasileiros, o principal risco permanece: mudanças frequentes na política comercial dos EUA, principal mercado externo de produtos industriais do Brasil.
Fonte: InfoMoney
Por: M3 Comunicação Integrada