Pix está entre os principais métodos de pagamento no Brasil. Foto: Adobe Stock
Última modificação em 4 de fevereiro de 2026 às 10:14
Entraram em vigor nesta segunda-feira (2) as novas regras de segurança do Pix, definidas pelo Banco Central do Brasil (BC), com o objetivo de dificultar fraudes e acelerar a devolução de valores transferidos indevidamente. As mudanças atingem diretamente o Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada para proteger vítimas de golpes no sistema de pagamentos instantâneos.
A principal novidade é a ampliação do rastreamento do dinheiro, que agora permite acompanhar o valor mesmo quando ele é rapidamente transferido para outras contas — prática comum em esquemas de fraude. Antes, a devolução ficava restrita à conta que recebeu o Pix inicialmente.
Rastreamento ampliado e mais chances de recuperação
Com o novo modelo, o Banco Central avalia que a taxa de recuperação dos recursos deve crescer de forma significativa. Especialistas do setor financeiro estimam que as medidas podem reduzir em até 40% o sucesso de golpes envolvendo o Pix, ao dificultar a dispersão do dinheiro entre contas usadas por criminosos.
Além disso, houve reforço na integração entre bancos, instituições de pagamento e órgãos de segurança, o que permite respostas mais rápidas diante de denúncias. O sistema também passou a oferecer mais opções de autoatendimento, tornando a contestação mais simples para o usuário.
Quando o MED pode ser usado
O Banco Central reforça que o Mecanismo Especial de Devolução deve ser acionado exclusivamente em casos de fraude, suspeita de fraude ou erro operacional da instituição financeira.
A ferramenta não se aplica a situações em que o próprio usuário realiza a transferência para a pessoa errada por erro de digitação, como envio para chave Pix incorreta.
Desde outubro, todas as instituições financeiras já eram obrigadas a disponibilizar o botão de contestação nos aplicativos, o que preparou o sistema para a entrada em vigor das novas regras.
O que muda com as novas regras do Pix
- MED passa a ser obrigatório: todos os bancos e instituições que operam o Pix devem adotar a versão 2.0 do Mecanismo Especial de Devolução;
- Rastreamento entre contas: a devolução não fica mais restrita à conta que recebeu o valor inicialmente; o sistema acompanha transferências intermediárias;
- Bloqueio automático de contas suspeitas: contas denunciadas por fraude podem ser bloqueadas imediatamente, antes da conclusão da análise;
- Prazo menor para devolução: o Banco Central estima que os valores possam ser recuperados em até 11 dias após a contestação;
- Troca de informações entre instituições: bancos passam a compartilhar dados sobre o caminho do dinheiro, facilitando bloqueios e restituições;
- Contestação por autoatendimento: a vítima pode solicitar a devolução diretamente pelo aplicativo do banco, sem necessidade de atendimento humano.
O que fazer em caso de golpe com Pix
- Contestar a transação o quanto antes pelos canais oficiais do banco;
- A instituição de origem comunica a instituição recebedora em até 30 minutos;
- Os recursos são bloqueados na conta do suspeito;
- As instituições analisam o caso;
- Se a fraude for confirmada, o valor é devolvido à vítima;
- Caso não haja indícios, o dinheiro é liberado ao recebedor.
Criado em 2021, o MED se consolidou como um dos principais pilares de segurança do Pix. Com as novas regras, o Banco Central espera desestimular o uso recorrente de contas para crimes financeiros e ampliar a proteção dos milhões de usuários que utilizam o sistema diariamente.
Fonte: Estadão
Por: M3 Comunicação Integrada