Diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica atribui reajuste ao alto custo da geração termoelétrica e aos encargos do sistema isolado no estado. Foto: Agência Brasil
Última modificação em 26 de fevereiro de 2026 às 11:57
O aumento médio de 24,13% na tarifa de energia elétrica em Roraima foi tema de audiência no Senado Federal, após convite ao diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O reajuste, aprovado em janeiro, elevou significativamente a conta de luz no estado e motivou questionamentos de parlamentares sobre a legalidade e a possibilidade de revisão.
Segundo o diretor-geral Sandoval de Araújo Feitosa Neto, o principal fator do aumento foram os encargos setoriais, responsáveis por cerca de 9 pontos percentuais do reajuste. Esses custos financiam políticas públicas do setor elétrico, como a tarifa social de energia e incentivos à geração por fontes renováveis, incluindo energia solar e eólica.
Interligação ao sistema nacional influenciou reajuste
Durante a audiência, o dirigente destacou que a recente conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) também impactou a estrutura tarifária. Apesar disso, ele afirmou que o cenário seria ainda mais oneroso caso o estado permanecesse isolado energeticamente.
Segundo a Aneel, sem a interligação o reajuste poderia alcançar cerca de 18% apenas pelos custos adicionais de geração local — historicamente mais cara devido à dependência de usinas termelétricas.
Senadores pedem revisão e questionam legalidade
O presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, Dr. Hiran (PP-RR), informou que protocolou pedido administrativo de recomposição tarifária com base no princípio da modicidade tarifária, que busca manter tarifas acessíveis ao consumidor.
O senador defendeu ainda a convocação do ministro de Minas e Energia para debater o tema no Congresso. Já o senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) anunciou que ingressou com ação popular na Justiça questionando a legalidade do reajuste aplicado em Roraima.
Possibilidade de diferimento tarifário
Parlamentares também questionaram se a Aneel poderia aplicar o diferimento tarifário — mecanismo que permite postergar parte do aumento e diluí-lo ao longo do tempo. O diretor-geral explicou que essa medida só pode ser adotada mediante solicitação prévia da concessionária, antes da homologação do reajuste.
Expectativa de queda na tarifa em 2027
A agência reguladora afirmou ainda que há perspectiva de redução na tarifa de energia em Roraima a partir de 2027. A expectativa está relacionada ao desligamento gradual de usinas termelétricas que atualmente encarecem a geração no estado, substituídas pelo fornecimento via sistema interligado nacional.
Por: M3 Comunicação Integrada