Vista aérea de área no Pantanal Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
Última modificação em 13 de fevereiro de 2026 às 09:42
Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal registraram queda significativa entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No período analisado, foram identificados 1.324 km² sob alerta, uma redução de 35% em comparação aos 2.050 km² registrados no intervalo anterior.
No Cerrado, a retração foi mais moderada. Os alertas somaram 1.905 km², frente aos 2.025 km² do ciclo anterior, representando queda de 6%.
Os números foram apresentados nesta quinta-feira (12), após a 6ª reunião da Comissão Interministerial Permanente de Prevenção e Combate ao Desmatamento, realizada no Palácio do Planalto. O colegiado, reativado em 2023, reúne 19 ministérios e é coordenado pela Casa Civil.
Degradação florestal despenca na Amazônia
Além da redução nos alertas de corte raso, os indicadores de degradação florestal também apresentaram recuo expressivo. A área degradada caiu de 44.555 km² para 2.923 km² — diminuição de 93%, conforme o Deter.
O sistema Deter funciona como ferramenta de alertas rápidos para orientar operações de fiscalização ambiental. Ele difere do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), também desenvolvido pelo Inpe, que calcula a taxa anual consolidada de desmatamento.
De acordo com o Prodes, entre 2022 e 2025 o desmatamento acumulado apresentou queda de 50% na Amazônia e de 32,3% no Cerrado.
Pantanal vai na contramão
Enquanto Amazônia e Cerrado registraram recuo, o Pantanal apresentou aumento nos alertas de desmatamento. Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, a área sob alerta passou de 202 km² para 294 km² — alta de 45,5%.
Apesar do crescimento recente, na comparação entre 2023 e 2024 o bioma havia registrado redução de 65,2%, indicando variação no ritmo das ocorrências.
Fiscalização ambiental é apontada como fator decisivo
O Ministério do Meio Ambiente atribui a redução dos alertas ao fortalecimento das ações de controle e fiscalização ambiental.
Em comparação com 2022, as operações do Ibama cresceram 59%. Já o ICMBio ampliou suas ações em 24%. As áreas embargadas aumentaram 51% pelo Ibama e 44% pelo ICMBio.
O número de operações de fiscalização ambiental na Amazônia avançou quase 148%, enquanto os registros de ocorrências passaram de 932 para 1.754. Também houve crescimento nas apreensões de minérios (170%) e madeira (65%).
Ciência e monitoramento ambiental
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou a importância do monitoramento por satélite e da infraestrutura tecnológica brasileira no combate ao desmatamento.
Segundo ela, o uso da ciência e da tecnologia fortalece a formulação de políticas públicas ambientais e demonstra o compromisso do país com a preservação dos biomas. “O Brasil não apenas monitora seus biomas, mas utiliza o conhecimento científico como ferramenta de proteção e soberania”, afirmou.
Os dados reforçam a tendência de queda no desmatamento da Amazônia, embora os números do Pantanal indiquem que o desafio da preservação ambiental ainda exige vigilância constante.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada