Crescente volume de estrangeiros e queda nos preços favorecem alta movimentação. Foto: Agência Brasil
Última modificação em 15 de janeiro de 2026 às 11:45
O turismo no Brasil caminha para a maior temporada de verão já registrada em volume de negócios, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o setor deve movimentar R$ 218,77 bilhões, crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os dados, divulgados nesta quinta-feira (15), indicam que a alta temporada será responsável por cerca de 44% de toda a receita anual do turismo nacional, consolidando o setor como um dos principais vetores de crescimento da economia de serviços no país.
O principal fator por trás do desempenho recorde é o forte aumento do turismo internacional. De janeiro a outubro de 2025, o Brasil recebeu 7,68 milhões de visitantes estrangeiros, um salto de 42,2% na comparação anual. A Argentina lidera a lista de países emissores, com 2,94 milhões de turistas, seguida por Chile (662 mil) e Estados Unidos (614 mil), que juntos respondem por 55% do total de entradas no país.
Até setembro, os gastos de turistas estrangeiros já somaram US$ 6,04 bilhões, crescimento de 11,7% em relação a 2024, reforçando o impacto positivo do fluxo internacional sobre a balança de serviços.
Além da presença estrangeira, o cenário interno também favorece o turismo. A queda nos preços de serviços essenciais, especialmente no transporte, tem estimulado as viagens domésticas. Dados do IPCA mostram que, nos dez meses encerrados em outubro de 2025, as tarifas aéreas acumularam queda de 14,4%, enquanto as passagens de ônibus interestaduais recuaram 1,8%.
Esse ambiente contribuiu para um recorde histórico de passageiros transportados, que alcançou 96,2 milhões nos primeiros nove meses de 2025, superando a marca anterior registrada em 2015.
Impacto no emprego e nos setores de consumo
O crescimento da atividade deve se refletir diretamente no mercado de trabalho. A CNC estima a abertura de 87,6 mil vagas temporárias formais durante a alta temporada — o maior número desde o verão de 2014, período marcado pela preparação para a Copa do Mundo no Brasil.
Os bares e restaurantes devem concentrar a maior fatia do faturamento, com R$ 97,3 bilhões, além de responder por mais de 70% das contratações previstas, o equivalente a 61,47 mil vagas. O transporte deve gerar 12,25 mil postos de trabalho, enquanto o setor de hospedagem projeta 10,02 mil novas contratações.
O salário médio de admissão estimado para o período é de R$ 1.912, valor 5,8% superior ao registrado na temporada anterior.
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o desempenho reforça o potencial do Brasil como destino global, embora ainda existam desafios estruturais. Ele destaca a necessidade de ampliar a malha aérea nas regiões Norte e Centro-Oeste, de forma sustentável, para aproveitar melhor as oportunidades do setor.
Já o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, avalia que o ambiente econômico contribui para o avanço do turismo. Segundo ele, o baixo desemprego e a inflação em desaceleração ampliam o espaço no orçamento das famílias para gastos com lazer, impulsionando a cadeia produtiva do setor.
Setor supera patamar pré-pandemia
Com o desempenho projetado para a temporada de verão, o turismo brasileiro consolida sua recuperação após a crise provocada pela pandemia de covid-19. Atualmente, o faturamento real do setor está 13% acima do nível pré-pandemia.
Em 2020, a atividade turística sofreu uma retração de 36,7%, mas conseguiu recuperar integralmente as perdas até dezembro de 2022, mantendo desde então uma trajetória consistente de crescimento.
Fonte: CNC
Por: M3 Comunicação Integrada