Última modificação em 10 de março de 2026 às 10:23

Um estudo conduzido por pesquisadores do Departamento de Psicologia e Neurociência da University of North Carolina at Chapel Hill aponta que adolescentes passam uma parte significativa do período escolar utilizando smartphones, o que pode impactar a atenção e o controle de impulsos durante as aulas.
Os resultados, divulgados nesta segunda-feira (9), indicam que estudantes chegam a passar quase um terço do dia letivo conectados aos aparelhos e verificam o celular diversas vezes ao longo das aulas para acessar principalmente redes sociais e aplicativos de entretenimento.
A pesquisa acompanhou jovens de 11 a 18 anos no sudoeste dos Estados Unidos e constatou que o uso do celular não se limita aos intervalos, ocorrendo de forma frequente durante todo o período de aula. Segundo os pesquisadores, essa rotina pode fragmentar a atenção dos alunos e dificultar habilidades importantes para o desempenho acadêmico.
Entre os dados observados no estudo, os adolescentes passam, em média, 2,22 horas do período escolar conectados ao smartphone. Durante o horário das aulas, os estudantes chegam a checar o aparelho cerca de 64 vezes. Mais de 70% do tempo de uso é dedicado a redes sociais e aplicativos de entretenimento.
Também foi identificada diferença entre as faixas etárias. Alunos de 15 a 18 anos utilizam o celular por cerca de 23 minutos a cada hora de aula, enquanto estudantes entre 11 e 14 anos permanecem aproximadamente 11 minutos no aparelho no mesmo período. Nenhum dos participantes conseguiu permanecer completamente sem usar o celular durante o horário escolar.
Para a pesquisadora Kaitlyn Burnell, coautora do estudo, o volume de tempo gasto nos aparelhos chamou a atenção da equipe.
“O que mais nos surpreendeu foi a enorme quantidade de tempo que os adolescentes passam nos seus celulares durante a escola”, afirmou.
Os pesquisadores também observaram que o hábito de verificar o celular repetidamente pode ser mais prejudicial ao foco do que o tempo total de uso. As interrupções frequentes provocam o que os cientistas chamam de fragmentação da atenção, dificultando a concentração em tarefas que exigem maior dedicação.
De acordo com a professora de psicologia e neurociência Eva Telzer, autora principal do estudo, a verificação constante do aparelho pode comprometer habilidades importantes para o aprendizado.
“Nossas descobertas mostram que a verificação frequente do telefone pode minar as próprias competências de que os alunos precisam para ter sucesso na sala de aula”, explicou.
Segundo os pesquisadores, plataformas digitais costumam oferecer recompensas rápidas, como curtidas e notificações, que competem com o esforço exigido pelas atividades escolares. Esse cenário representa um desafio adicional para o cérebro adolescente, que ainda está em fase de desenvolvimento de mecanismos de autorregulação.
Diante dos resultados, os autores defendem que escolas adotem políticas para limitar o acesso a plataformas altamente estimulantes durante o período de aula. No entanto, o estudo aponta que a simples proibição pode não ser suficiente e sugere a adoção de programas de alfabetização digital para orientar os estudantes a usar a tecnologia de forma mais consciente.
No Brasil, o uso de celulares nas escolas foi proibido por meio de uma lei sancionada em janeiro de 2025, válida durante aulas, recreios e intervalos. Desde então, instituições de ensino passaram a adotar medidas de controle, como bolsinhas para armazenamento dos aparelhos, caixas coletivas e armários trancados, entregues aos alunos no início do dia e devolvidos ao final das atividades.
Relatos de escolas indicam que o período inicial de adaptação foi desafiador, com alguns estudantes apresentando irritação ou resistência à medida. Com o passar do tempo, porém, parte das instituições passou a registrar melhora na concentração em sala de aula, redução de distrações e maior interação entre os alunos.
Fonte: G1
Por: M3 Comunicação Integrada