Última modificação em 4 de novembro de 2026 às 11:31
Entenda a diferença entre o modelos proposto e o atual vigente

Lideranças de partidos do Centrão, na Câmara dos Deputados, apresentaram, na última semana, uma proposição para mudar o sistema de eleição de deputados e vereadores no Brasil. A ideia é adotar o voto distrital misto, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), com exceção das eleições para o Senado, que continuariam pelo sistema majoritário.
A articulação é liderada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e reúne partidos como PP, PSD, União, Podemos e PSB. A intenção é aprovar a proposta ainda em 2026, estabelecer regras de transição para as eleições de 2030 e implementar o novo modelo integralmente em 2034.
Atualmente, deputados federais, estaduais e distritais, além de vereadores, são eleitos pelo sistema proporcional. Nesse modelo, as vagas são distribuídas conforme a votação total dos partidos ou federações, considerando o quociente eleitoral. Assim, candidatos com menos votos individuais podem ser eleitos por causa do desempenho da legenda, enquanto outros mais votados podem ficar de fora.
Como funcionaria o voto distrital misto?
Pela proposta, metade das vagas seria preenchida pelo voto distrital e a outra por listas partidárias fechadas. Cada eleitor teria direito a dois votos: um para escolher um candidato de seu distrito e outro para selecionar um partido.
No modelo distrital, o estado ou município seria dividido em regiões eleitorais, e o candidato mais votado em cada uma delas conquistaria a vaga. Já na lista fechada, o eleitor votaria diretamente no partido, que definiria previamente a ordem dos candidatos. As vagas seriam ocupadas conforme essa classificação.

Críticas e possíveis mudanças
Entre os argumentos favoráveis ao novo sistema estão a aproximação dos parlamentares com as comunidades representadas e a possibilidade de reduzir os custos das campanhas, já que os candidatos disputariam votos em áreas menores.
Por outro lado, críticos apontam que o modelo distrital pode reduzir a representação de grupos minoritários que sejam minoria em seus respectivos territórios. Também existe preocupação com a definição dos limites dos distritos, que poderiam ser manipulados para favorecer determinados partidos, prática conhecida como gerrymandering.
A adoção das listas fechadas também gera questionamentos, pois daria às direções partidárias maior influência sobre a escolha dos candidatos que ocupariam as vagas, fortalecendo as lideranças internas.
A proposta ainda está em fase de articulação e poderá sofrer alterações durante a tramitação no Congresso. Projetos apresentados no Senado em 2017 poderão servir de referência para a elaboração do texto que será discutido pelos deputados.
‘Puxadores de voto’
Uma das regras do atual sistema eleitoral estabelece que, para ser eleito, o candidato precisa obter pelo menos 10% do quociente eleitoral. A exigência foi instituída em 2015 para evitar que candidatos com votação pouco expressiva conquistassem vagas beneficiados pelo desempenho de colegas conhecidos como “puxadores de voto”.
Uma das principais críticas ao sistema proporcional é justamente a possibilidade de candidatos menos votados serem eleitos enquanto outros, com votação individual superior, ficam de fora por pertencerem a partidos ou federações que não alcançaram desempenho suficiente.
Outro questionamento é a influência de candidatos que recebem muitos votos e acabam contribuindo para eleger outros integrantes da mesma legenda. A regra dos 10% do quociente eleitoral foi criada para limitar esse efeito.

Fonte: Agência Brasil