Última modificação em 29 de outubro de 2026 às 08:45
No documento, Flávio questiona, sem apresentar provas, a lisura do processo eleitoral e critica decisões dos ministros do STF, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes

Em carta divulgada à imprensa, após chegar à Miami, nos EUA, com a família, o senador Flávio Bolsonaro (PL) agradeceu aos presidentes Donald Trump e Javier Milei, da Argentina, pelo apoio para sair do Brasil. Ele se autoproclamou presidente eleito do Brasil e afirmou que comandará a oposição brasileira a partir do exterior.
No documento, Flávio questionou, sem apresentar provas, a lisura do processo eleitoral e criticou decisões dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Zanin autorizou, no domingo (25), a extensão do horário de votação até as 19h, a pedido das campanhas do PL e do PT. Já Moraes havia determinado a apreensão dos passaportes do senador, após solicitação da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga em meio a investigações.
Na primeira versão da carta, Flávio se declarou o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de 30 minutos depois, a expressão foi substituída por “líder do Brasil”. O texto também utilizava um brasão com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, denominação que deixou de ser usada em 1967, e grafava o nome do país com “z”.
Lula venceu a disputa presidencial com aproximadamente 64,2 milhões de votos (51,79% dos válidos), contra 59,8 milhões (48,21%) de Flávio. A apuração foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e por lideranças internacionais. O próprio PL reconheceu o resultado.
Flávio afirmou que pretende falar, dos Estados Unidos, o que os parlamentares de seu partido não poderiam dizer no Brasil e assumir os riscos que eles não poderiam correr.
O senador é investigado em dois inquéritos no STF. Um apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, envolvendo também o advogado Willer Tomaz. O outro investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A saída do senador ocorreu após uma passagem pela Argentina. Ele e a família cruzaram a fronteira por Foz do Iguaçu (PR), na noite de terça-feira (27), e embarcaram em um avião particular com destino a Guayaquil, no Equador, antes de seguirem para os Estados Unidos.
Reação nos Estados Unidos
A chegada de Flávio em solo Norte-Americano também provocou críticas de integrantes democratas do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados do país. Em publicação nas redes sociais, o grupo questionou a concessão de visto ao senador e comparou o tratamento dado à família Bolsonaro ao destinado a pessoas que tentam fugir de conflitos internacionais.
O irmão mais novo do senador, Eduardo Bolsonaro, está nos Estados Unidos desde março de 2025. Antes do segundo turno, ele havia declarado que Flávio deveria deixar o Brasil caso fosse derrotado. Eduardo foi condenado pelo STF por sua atuação em articulações relacionadas às tarifas impostas pelo governo norte-americano ao Brasil em 2025, que, segundo a acusação, buscavam interferir no julgamento de Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal alertou que a divulgação de declarações que questionam o processo eleitoral, sem a devida contextualização, pode contribuir para a desinformação. A entidade ressaltou que o jornalismo deve oferecer informações verificadas e contextualizadas, além de repercutir as falas de agentes públicos.
Fonte: Agência Brasil