
Última modificação em 20 de outubro de 2026 às 10:30
A morte precoce da atriz Lua Blanco, aos 39 anos, devido a um câncer colorretal, chama a atenção para uma doença que pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais. Conhecida por interpretar a personagem Roberta na versão brasileira da novela Rebelde, a atriz teve o falecimento comunicado pela família no domingo (18).
O caso reforça a importância da informação sobre esse tipo câncer, incluindo os fatores de risco e as formas de diagnóstico precoce. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deverá registrar 53.810 novos casos da doença por ano, no período de 2026 a 2028, entre homens e mulheres.
O que é o câncer colorretal?
O câncer colorretal atinge o cólon, parte do intestino grosso, ou o reto. Em cerca de 90% dos casos, a doença se desenvolve a partir de pólipos intestinais, que podem se tornar malignos ao longo dos anos. A identificação e a remoção dessas lesões por meio da colonoscopia ajudam a prevenir o câncer.
Embora seja mais frequente após os 50 anos, a doença também pode atingir pessoas mais jovens, como foi o caso da atriz Lua Blanco.
Quais são os sintomas?
O câncer colorretal pode não apresentar sinais nas fases iniciais. Quando surgem, os sintomas podem ser confundidos com problemas intestinais comuns. Conforme o oncologista Artur Ferreira, da Oncoclínicas, entre os principais sinais de alerta estão:
- Sangue nas fezes;
- Diarreia ou constipação persistentes;
- Alterações no formato das fezes, que podem ficar mais finas;
- Sensação de evacuação incompleta;
- Dores ou desconforto abdominal;
- Perda de peso sem motivo aparente;
- Fraqueza e cansaço frequente;
- Presença de massa palpável no abdome.
Essas manifestações não indicam necessariamente câncer, mas devem ser avaliadas por um profissional de saúde quando persistentes ou recorrentes.
Quais são os fatores de risco?
Entre os principais fatores associados à doença estão o consumo frequente de carnes vermelhas e processadas, a alimentação pobre em vegetais, o excesso de peso, o sedentarismo e o tabagismo.
Doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa, além de histórico familiar e predisposição hereditária, também podem aumentar o risco.
A adoção de hábitos saudáveis e o acompanhamento médico ajudam a reduzir os riscos. A realização de exames, conforme orientação profissional, é importante para identificar alterações precocemente, já que a prevenção não elimina completamente a possibilidade de desenvolver a doença.
Câncer colorretal: 8 mitos e verdades sobre a doença
O câncer colorretal pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais e atingir pessoas de diferentes idades. O oncologista Artur Ferreira esclarece dúvidas sobre fatores de risco, prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
1. Todas as pessoas com câncer colorretal precisam usar bolsa de colostomia — mito.
A colostomia é necessária apenas em determinadas situações, como algumas cirurgias de emergência e tumores em regiões específicas do intestino. O procedimento pode ser temporário ou permanente, dependendo das condições do paciente.
2. Intestino preso aumenta o risco de câncer colorretal — depende.
Os estudos sobre a relação entre constipação e câncer colorretal apresentam resultados divergentes. O intestino preso não é considerado um fator de risco clássico. Entre os fatores mais conhecidos estão obesidade, sedentarismo, tabagismo, idade e alimentação inadequada.
3. Homens têm maior probabilidade de desenvolver a doença — verdade.
A incidência do câncer colorretal é maior entre os homens, embora a doença também seja frequente entre as mulheres. A prevenção e o rastreamento devem considerar as recomendações médicas para cada pessoa.
4. Todo pólipo intestinal se transforma em câncer — mito.
Apenas uma parcela dos pólipos evolui para tumores malignos. A colonoscopia permite identificar e remover essas lesões, que podem ser encaminhadas para análise laboratorial.
5. O consumo excessivo de carnes vermelhas e processadas aumenta o risco — verdade.
O consumo frequente desses alimentos está associado ao aumento do risco de câncer colorretal. Uma alimentação equilibrada, rica em fibras e vegetais, e a redução de carnes processadas são medidas recomendadas para diminuir esse risco.
6. A ausência de sintomas significa que não há motivo para preocupação — mito.
A doença pode permanecer silenciosa nas fases iniciais. Por isso, é importante seguir as recomendações de rastreamento e procurar avaliação médica diante de sinais persistentes, como sangue nas fezes e mudanças no hábito intestinal.
7. Doenças inflamatórias intestinais aumentam o risco — verdade.
Condições como retocolite ulcerativa e doença de Crohn podem elevar o risco de câncer colorretal, dependendo da extensão e da duração da doença. O acompanhamento médico regular é fundamental para monitorar possíveis alterações.
8. É possível prevenir todos os casos de câncer colorretal — mito.
Hábitos saudáveis, prática de atividades físicas, controle do peso, alimentação equilibrada e abandono do tabagismo ajudam a reduzir o risco, mas não garantem prevenção completa.
Como é feito o diagnóstico?
A colonoscopia é um dos principais exames para investigar o câncer colorretal. Além de permitir a visualização do intestino grosso e do reto, possibilita a retirada de pólipos. A indicação do rastreamento depende de fatores como idade, histórico familiar e condições de saúde.
Quais são os tratamentos?
O tratamento varia conforme o estágio da doença, as características do tumor e as condições clínicas do paciente. Entre as opções estão cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Em situações específicas, também podem ser utilizados procedimentos como ablação e embolização.
A definição da estratégia é feita pela equipe médica, de acordo com cada caso. O diagnóstico precoce é importante para ampliar as possibilidades de tratamento e melhorar o prognóstico.
Fonte: MSN