
Última modificação em 22 de setembro de 2026 às 16:47
O município de Iracema, no Sul de Roraima, decretou situação de emergência após 458 famílias serem afetadas pela seca, com perdas de plantações e animais.
O decreto foi assinado pela prefeita Marlene Saraiva (Republicanos) e publicado no Diário Oficial dos Municípios desta terça-feira (22). Segundo parecer técnico da Defesa Civil municipal, Iracema enfrenta uma das estiagens mais severas dos últimos anos, influenciada pelo fenômeno El Niño.
Neste mês, o Governo de Roraima também decretou emergência pela seca e criou um gabinete integrado para coordenar ações de prevenção e combate aos efeitos no estado. O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico.
Ele pode alterar a circulação da atmosfera e modificar os padrões de chuva, temperatura e vento. No Brasil, pode afetar a agricultura, os recursos hídricos e aumentar a ocorrência de eventos extremos.
O secretário municipal de Proteção e Defesa Civil de Iracema, Joas Braga de Lima, destacou as perdas. “Os cacimbos também estão secando. Já encontramos alguns animais, como gado e burros, mortos por causa da estiagem. A situação é provocada pela seca”, afirmou.
Segundo a Defesa Civil, o município ainda não se recuperou das enchentes de junho, quando também precisou decretar emergência. O novo decreto tem validade de 180 dias e autoriza o município a entrar em propriedades particulares para prestar socorro ou determinar evacuações em situações de emergência, com direito a indenização ao proprietário em caso de danos.
A medida também permite a dispensa de licitação para contratação de serviços e compra de bens necessários ao enfrentamento da situação, além de obras e serviços que possam ser concluídos em até um ano, sem prorrogação dos contratos.
Redução das chuvas e risco à segurança alimentar
No decreto, a prefeitura cita a redução das chuvas e o risco à segurança alimentar. Segundo o Censo 2022 do IBGE, Iracema tem cerca de 10 mil habitantes. De acordo com a Defesa Civil, aproximadamente 68% da população trabalha com agricultura, distribuída em 25 vicinais.
O parecer da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC) aponta que as precipitações estão até 50 milímetros abaixo da média climatológica, com esgotamento dos mananciais superficiais, queda do nível dos rios e comprometimento do abastecimento de água potável tanto na zona urbana quanto nas comunidades rurais.
Fonte: g1 RR