
Última modificação em 18 de setembro de 2026 às 16:22
A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) sediou, nesta sexta-feira (18), o 1º Fórum de Elementos Terras Raras, Minerais Estratégicos e Críticos em Roraima. Realizado no Plenário Valério Caldas de Magalhães, o evento reuniu autoridades, pesquisadores e especialistas para discutir estudos, resultados e perspectivas relacionadas ao potencial mineral do estado e às oportunidades de desenvolvimento econômico, científico e tecnológico.
Para Fernando Machado, superintendente de Estudos Técnicos, Desenvolvimento de Políticas Públicas e Integração da ALERR, a participação do Poder Legislativo no debate é fundamental, especialmente porque o avanço do setor depende também da criação de políticas públicas e do aperfeiçoamento da legislação.
“A atração desses investimentos para o estado de Roraima é muito importante porque nós precisamos desenvolver de forma qualificada a região. E a importância da Assembleia participar dessa discussão é muito relevante, porque aqui podemos produzir leis e ajudar as próximas indústrias que vierem a ser instaladas, com incentivos, desenvolvimento e também com proteção”, explicou.
Machado ressaltou ainda que o crescimento econômico precisa estar associado à preservação ambiental e ao respeito às questões fundiárias.
Pesquisas apontam potencial mineral
Estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade de São Paulo (USP) estão sendo realizados no Complexo Barreira, localizado em Caracaraí. Em amostras de argila analisadas pelas equipes, foram identificados 16 dos 17 elementos classificados como terras raras.
As pesquisas ainda estão nas etapas de prospecção e análise, mas os resultados obtidos até o momento já chamam a atenção dos setores científico e econômico. O professor e pesquisador da UFRR, Vladimir de Souza destacou a importância do fórum para apresentar à sociedade os resultados e as possibilidades que vêm sendo identificados pelos estudos.
“Esse encontro vai ser um marco porque nós mostraremos a potencialidade da descoberta que ocorreu aqui das terras raras, de minerais críticos, e também a importância econômica que isso pode ter para o estado de Roraima e para o Brasil. Os números impressionam muito e podem mudar totalmente a nossa economia”, afirmou.
Já o professor e pesquisador da USP, Henrique Eisi Toma, ressaltou que o momento também representa uma oportunidade para que Roraima avance na produção de conhecimento e tecnologia a partir das pesquisas em andamento.
“É uma chance de inovação, de se projetar no mundo sem depender de coisas que já existiam. Roraima tem um potencial muito grande. Em cima desse produto tem que haver conhecimento, ciência e tecnologia. Isso tem que andar junto. Uma coisa só não basta. A gente precisa das duas coisas”, avaliou.
Expectativa de investimentos
O potencial identificado no Complexo Barreira também tem gerado expectativas quanto à atração de investimentos para Roraima. Segundo Lucergio Barreira, pesquisador e proprietário da área onde estão sendo desenvolvidos os estudos, a iniciativa abre uma nova perspectiva para a mineração no estado.
“É o primeiro fórum de terras raras de Roraima. É o primeiro projeto, a primeira pesquisa de terras raras no estado. A expectativa é de investimentos nos próximos anos de mais de R$ 10 bilhões, com a mineração legal. É um projeto que pode alavancar a economia do estado”, destacou.
Ao sediar o primeiro fórum estadual dedicado à discussão de terras raras e minerais estratégicos, a Assembleia Legislativa reforça o papel do Parlamento como espaço de diálogo entre ciência, setor produtivo, poder público e sociedade. O debate reúne diferentes setores em torno de pesquisas que ainda estão em desenvolvimento, mas que já colocam o potencial mineral de Roraima no centro das discussões sobre novas possibilidades para o desenvolvimento econômico, científico e tecnológico do estado.
Fonte: SupCom ALERR