Última modificação em 5 de setembro de 2026 às 15:33
MPF encontrou 108 publicações que somavam mais de 5,8 milhões de visualizações e anunciavam a substância usada em garimpos na Amazônia. Mercúrio era anunciado com pureza de 99,999%, quantidades mínimas e formas de envio

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a ByteDance Brasil, empresa responsável pela gestão do TikTok no país, exclua contas usadas para anunciar a venda de mercúrio voltado ao garimpo ilegal de ouro na rede social. O órgão encontrou mais de 100 publicações com anúncios da substância usada em atividades ilegais principalmente na Amazônia.
A recomendação foi expedida em 31 de agosto em um inquérito civil de abrangência nacional, instaurado para apurar o uso da rede social na divulgação e negociação ilegal do mercúrio. O documento foi apresentado pelo procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha.
Em nota, o TikTok informou que “os conteúdos foram removidos por violar nossas Diretrizes da Comunidade sobre produtos e serviços regulamentados. Proibimos a comercialização, o marketing ou o fornecimento de acesso a produtos e serviços regulamentados, proibidos ou de alto risco”.
O mercúrio é usado por garimpeiros para separar o ouro de outros sedimentos e, assim, deixá-lo “limpo”. A substância é altamente tóxica para o ser humano. O metal entra na cadeia alimentar aquática e alcança populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia, podendo causar efeitos neurológicos irreversíveis, especialmente em gestantes e crianças, alertou o MPF.
O monitoramento do MPF que identificou as publicações foi realizado em agosto de 2026 e encontrou três perfis que ofereciam mercúrio. Os conteúdos estavam em português, espanhol e inglês. Os contatos disponibilizados para negociação tinham números associados à China.
“Os perfis se apresentam como fábrica situada na ‘Capital do Mercúrio’, designação atribuída ao distrito de Wanshan, na República Popular da China, e anunciam o metal com densidade de 13,6, envasado em frascos de 34,5 kg, padrão internacional de comercialização da substância, sem indicação de razão social, endereço ou registro empresarial”, diz trecho da recomendação.
Fonte: g1 RR