Última modificação em 4 de setembro de 2026 às 09:30
Estudo do MapBiomas aponta que 2.172 das 5.673 localidades habitadas na região sofreram forte exposição aos efeitos do fenômeno climático

Mais de um terço das ocupações humanas existentes na Amazônia, o equivalente a 38%, ficou altamente exposto aos efeitos do El Niño em 2024. O dado faz parte de um estudo divulgado nesta sexta-feira (4) pelo MapBiomas.
Entre as 5.673 localidades habitadas analisadas na região, 2.172 sofreram forte exposição aos impactos do fenômeno, que provoca alterações no regime de chuvas e aumento das temperaturas na Amazônia.
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical, alterando a circulação atmosférica e tornando a distribuição das chuvas mais irregular. Na Amazônia, o fenômeno está associado, principalmente, à redução das precipitações e ao aumento do calor.
Amazônia teve menos chuva e água em 2024
Para avaliar os efeitos do El Niño, os pesquisadores cruzaram informações sobre precipitação e superfície de água entre setembro e novembro de 2024.
Nesse período, a área coberta por água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica, considerando os anos de 1985 a 2025. As chuvas também ficaram abaixo do padrão, com uma redução de 27% em relação à média. A temperatura máxima média registrou aumento de 2,6°C durante os três meses analisados.
Segundo Bruno Ferreira, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e integrante da equipe do MapBiomas Amazônia, a combinação de menos chuva e temperaturas mais altas aumenta a perda de água do solo e provoca estresse hídrico na vegetação.
“Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação”, aponta o pesquisador.
Seca afeta comunidades e atividades
O estudo avaliou diferentes formas de ocupação humana, incluindo áreas urbanas e rurais, territórios indígenas e quilombolas, assentamentos, entre outras categorias.
Os pesquisadores identificaram que 93% das localidades analisadas, ou 5.273 áreas habitadas, estavam a até 5 quilômetros de regiões que registraram redução da superfície de água.
A proximidade aumenta a exposição das comunidades aos impactos da seca, principalmente em atividades que dependem dos rios.
“A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais”, destaca Bruno Ferreira.
Perda de vegetação aumenta vulnerabilidade
Além das condições climáticas registradas em 2024, o levantamento considerou mudanças na cobertura e no uso da terra na Amazônia.
Ao longo dos 41 anos da série histórica, foram perdidos 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a uma redução de 14% da cobertura vegetal existente anteriormente.
Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram dados das coleções de Cobertura e Uso da Terra e de Água do MapBiomas, além da coleção beta sobre Atmosfera. Também foram consideradas informações do IBGE sobre áreas habitadas e dados do Painel El Niño, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A análise ganha relevância diante das previsões meteorológicas que apontam para um El Niño de forte intensidade em 2026, com possibilidade de prolongamento dos efeitos até 2027.
Fonte: Agência Brasil