
Última modificação em 3 de setembro de 2026 às 11:31
O Governo de Roraima e representantes do setor produtivo vão atuar de forma integrada para reduzir os impactos do El Niño no estado. Nesta quarta-feira (2), foi assinado o decreto que cria, em caráter extraordinário, o Gabinete Integrado da Operação El Niño 2026-2027.
A estrutura terá a função de coordenar medidas de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante da estiagem e de possíveis desastres naturais. A atuação envolverá secretarias, órgãos estaduais e representantes do setor produtivo.
Entre as principais preocupações estão o risco de incêndios florestais, a redução da disponibilidade de água e os prejuízos à produção agropecuária.
Ações preventivas
O planejamento para o período de estiagem começou a partir dos primeiros alertas emitidos pelos órgãos de monitoramento climático. No campo, as equipes reforçaram orientações sobre prevenção de incêndios, manutenção de aceiros, manejo adequado do fogo e acompanhamento das condições meteorológicas.
Técnicos do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Iater) também realizam visitas a propriedades rurais e áreas consideradas de maior risco. Enquanto isso, órgãos ambientais e de segurança ampliam ações de fiscalização e orientação sobre queimadas.
Estiagem já afeta produção
O presidente do Iater, José Vicente, afirmou que as condições climáticas já provocam impactos na produção agropecuária de Roraima, com estimativa de perdas superiores a 40%.
Segundo ele, o governo também trabalha com produtores e instituições financeiras para fornecer orientações técnicas e elaborar laudos que possam auxiliar na solicitação de prorrogação de dívidas.
“Estamos empenhados em mitigar esses impactos e oferecer suporte aos produtores. Com o decreto, teremos condições de intensificar as ações preventivas, tanto no combate aos incêndios quanto no enfrentamento à escassez hídrica”, afirmou.
O Iater ainda presta assistência técnica relacionada ao manejo de grãos, produção de silagem e outras estratégias para manter a atividade rural durante a estiagem.
Bombeiros reforçam preparação
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Roraima, coronel Anderson Carvalho de Matos, informou que a preparação para o período mais crítico começou em julho, a partir dos dados dos órgãos de monitoramento.
“Estamos preparados para atuar de forma integrada, principalmente na prevenção e no combate às queimadas e no enfrentamento da crise hídrica. O objetivo é oferecer assistência técnica e logística à população e aos produtores rurais”, explicou.
Entre as medidas previstas estão a disponibilização de maquinário, escavação de bebedouros e apoio ao manejo de queimadas controladas autorizadas, além do reforço das operações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
Setor produtivo relata prejuízos
Representantes do setor produtivo também apontam impactos da estiagem nas lavouras e na pecuária. O representante da Coopercarne, André Prado, informou que a produção de soja registra perdas estimadas entre 40% e 50%.
Para ele, o decreto poderá auxiliar os produtores na comprovação dos prejuízos e nas negociações com instituições financeiras.
“A quebra da safra é apenas o primeiro impacto da estiagem. Na pecuária, teremos reflexos especialmente na fase de cria. Por isso, estamos discutindo medidas como armazenamento de alimentos, adequação da lotação das propriedades, aceiros e limpeza das áreas próximas às cercas”, destacou.
André também citou a importância do debate realizado durante o 1º Seminário de Mudanças Climáticas, promovido pela Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), que discutiu os efeitos da estiagem, dos incêndios florestais e os riscos para o abastecimento de água.
O presidente da Aprosoja, Murilo Ferrari, avaliou positivamente a criação do gabinete integrado e destacou os prejuízos nas plantações de soja e milho.
“Embora não possamos controlar as condições climáticas, contamos com o compromisso das autoridades públicas e das equipes envolvidas. A estrutura do Corpo de Bombeiros, os equipamentos da Defesa Civil e a mobilização das secretarias trazem mais segurança ao setor produtivo”, afirmou.
Para os produtores, a prevenção aos incêndios está entre as principais prioridades, já que as lavouras afetadas pela estiagem ficam mais vulneráveis à propagação do fogo.
Fonte: Secom-RR