Última modificação em 3 de setembro de 2026 às 08:30
Fenômeno climático deve atingir intensidade máxima no fim de 2026 e provocar impactos no clima global ao longo de 2027

O fenômeno El Niño deve se intensificar nos próximos meses e atingir níveis considerados muito fortes, segundo alerta divulgado nesta quinta-feira (3) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência climática da Organização das Nações Unidas (ONU). A previsão indica que o evento deve atingir seu pico até o fim do ano e continuar influenciando o clima mundial até fevereiro de 2027.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do centro e do leste do Pacífico Equatorial. O fenômeno altera os padrões de circulação atmosférica e pode provocar mudanças nos regimes de chuva, temperatura e ventos em diferentes regiões do planeta.
América Latina já sente os efeitos
Na América Latina, os impactos já provocam medidas de emergência. Panamá e El Salvador decretaram estado de emergência devido aos efeitos do fenômeno, enquanto o Equador emitiu alerta vermelho diante da intensificação das condições climáticas.
No Panamá, a redução do nível dos rios chegou a afetar o tráfego de embarcações pelo Canal do Panamá.
Fenômeno pode atingir intensidade excepcional
De acordo com a OMM, o El Niño deve alcançar sua maior intensidade até o final deste ano. Mesmo após o pico, os efeitos sobre as temperaturas e os padrões de precipitação devem permanecer durante os primeiros meses de 2027.
A agência classificou como elevada a possibilidade de o episódio atual se tornar um dos mais intensos já registrados desde o início do monitoramento sistemático do fenômeno, há cerca de 40 anos.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o episódio pode superar os níveis observados em eventos anteriores.
El Niño pode agravar o aquecimento global
O El Niño não é causado pelas mudanças climáticas, mas seus efeitos podem potencializar o aquecimento do planeta. O aumento das temperaturas dos oceanos ocorre em um contexto de elevação contínua das temperaturas globais provocada principalmente pela emissão de gases de efeito estufa.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também alertou para o risco de intensificação de eventos extremos, como secas, enchentes e ondas de calor.
Impactos podem atingir economia e serviços
Os efeitos do fenômeno podem se prolongar mesmo depois de seu pico, já que o oceano libera calor para a atmosfera de forma gradual. Esse processo contribui para a elevação das temperaturas globais nos meses seguintes.
O ano de 2024 foi o mais quente já registrado, após a ocorrência de um forte episódio de El Niño.
A OMM alerta que o atual fenômeno pode provocar impactos significativos sobre comunidades e economias, especialmente em áreas vulneráveis a secas e inundações.
A entidade recomendou que governos e setores dependentes das condições climáticas, como agricultura, saúde, energia e recursos hídricos, adotem medidas preventivas.
El Niño pode durar até fevereiro
O fenômeno ocorre, em média, a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses. Ele faz parte de um ciclo climático que alterna períodos de El Niño, La Niña e condições neutras. Segundo a OMM, existe uma probabilidade próxima de 100% de que o atual episódio continue até fevereiro de 2027.
Fonte: Correio do Povo