Última modificação em 31 de julho de 2026 às 11:33
Instituição informou que estuda criar uma empresa privada para administrar não apenas a área comercial, mas também a organização de todas as suas competições

A Uefa, a União das Associações Europeias de Futebol, anunciou, nesta quinta-feira (30), um boicote em competições organizadas pela Fifa caso a entidade mantenha a proposta de abrir, para investidores privados, participação acionária na Copa do Mundo e de outros torneios promovidos por ela.
O projeto prevê a criação de uma empresa responsável pela comercialização e pela organização das competições da Fifa, com potencial de captar cerca de US$ 20 bilhões — mais de R$ 100 bilhões na cotação atual.
Durante uma reunião de emergência, os 55 membros da Uefa aprovaram, por unanimidade, uma posição contrária à proposta. A entidade afirmou que as seleções europeias poderão deixar de participar de torneios da Fifa enquanto o modelo continuar em discussão.
Na terça-feira (28), a Fifa informou que estuda criar uma empresa privada para administrar não apenas a área comercial, mas também a organização de todas as suas competições, incluindo a Copa do Mundo.
No mesmo dia, a Uefa criticou publicamente a iniciativa e declarou que o futebol “não pertence à Fifa para ser vendido”. O posicionamento foi reforçado em um novo comunicado divulgado nesta quinta-feira.
“Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da Fifa de transferir participações de propriedade na Copa do Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, afirmou a Uefa.
A entidade também declarou que não dará apoio ao modelo e condicionou a participação das seleções europeias em competições da Fifa ao abandono definitivo da proposta.
“A posição da Europa é clara. Nunca daremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que apenas detém em confiança para a próxima geração. Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que sejam totalmente abandonadas e garantias vinculantes sejam dadas de que a Fifa jamais voltará a abrir sua governança ou competições à propriedade privada”, destacou a organização.
Vale destacar que um eventual boicote das seleções europeias poderia afetar competições importantes organizadas pela Fifa, entre elas a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, em junho.
A posição da Uefa também recebeu apoio da Concacaf, entidade que reúne as federações da América do Norte, Central e do Caribe, da Confederação Asiática de Futebol (AFC) e da Federação Inglesa de Futebol (FA).
Em 2021, a Fifa desistiu da proposta de realizar a Copa do Mundo a cada dois anos após a Uefa ameaçar boicotar a competição. A expectativa é que a entidade europeia volte a adotar uma estratégia semelhante para pressionar a Fifa a abandonar o plano de abrir participação nas competições para investidores privados.
Venda da Copa do Mundo e relação com Donald Trump
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, busca investidores para financiar a FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa recém-criada que deverá assumir o controle das operações comerciais e da organização de eventos da entidade, incluindo as Copas do Mundo masculina e feminina.
A Fifa negocia o possível acordo com o apoio da multinacional do setor financeiro JP Morgan e da Thrive Eternal, empresa fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A aproximação entre Infantino e Trump se intensificou no último mês, durante a realização da Copa do Mundo deste ano. A relação entre os dois passou a gerar preocupações entre dirigentes da Uefa.
A Fifa arrecadou cerca de US$ 12 bilhões com o evento. O torneio também foi marcado pela repercussão em torno dos altos valores cobrados por ingressos e pacotes de hospitalidade.
Fonte: ESPN Brasil