Última modificação em 6 de julho de 2026 às 16:36
Cerca de 40 empresas e entidades brasileiras e norte-americanas se inscreveram para participar da sessão, que deve se estender até terça-feira (7)

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) realiza, nesta segunda-feira (6), em Washington, a primeira audiência pública para discutir a proposta de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos.
Cerca de 40 empresas e entidades brasileiras e norte-americanas se inscreveram para participar da sessão, que deve se estender até terça-feira (7). Entre os representantes brasileiros estão a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a Embraer e outras organizações. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também está inscrito para participar da audiência na terça-feira.
A investigação conduzida pelo USTR foi aberta em 15 de julho de 2025, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974. O procedimento avalia supostas práticas comerciais brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos em seis áreas: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Durante a audiência, cada participante terá até cinco minutos para apresentar os argumentos já encaminhados ao USTR, favoráveis ou contrários à adoção da tarifa. Ao término das exposições, representantes do órgão poderão fazer questionamentos complementares.
O governo brasileiro, notificado sobre a investigação no início de junho, contestou formalmente as alegações apresentadas pelo USTR. Em documento enviado ao órgão, o Itamaraty argumenta que as práticas comerciais adotadas pelo Brasil não causam prejuízos aos Estados Unidos nem às empresas norte-americanas.
Na manifestação diplomática, o Brasil também solicita que os Estados Unidos não adotem medidas unilaterais enquanto a investigação estiver em andamento. Segundo o governo, o USTR não demonstra o vínculo jurídico necessário entre políticas brasileiras específicas e eventuais prejuízos ao comércio norte-americano.
O documento afirma ainda que as conclusões preliminares do órgão norte-americano classificam como “irrazoáveis” decisões soberanas do Brasil e transformam alegações genéricas de desvantagem comercial em justificativas para restrições ao comércio. Para o Itamaraty, esses argumentos não atendem aos requisitos previstos na Seção 301 e, por isso, não justificam a imposição de sanções comerciais.
Fonte: Agência Brasil