Última modificação em 3 de julho de 2026 às 09:30
De acordo com especialistas, manter o Brasil fora dessa realidade depende da continuidade de políticas públicas voltadas à geração de emprego e renda, e investimentos nas áreas de saúde, educação e segurança alimentar

Há um ano, o Brasil voltou a ficar fora do Mapa da Fome, ao reduzir para menos de 2,5% a parcela da população em risco de subnutrição ou sem acesso regular à alimentação suficiente. Apesar do avanço, o país ainda enfrenta desafios: cerca de 6,5 milhões de brasileiros permanecem em situação de insegurança alimentar grave.
De acordo com especialistas, manter o Brasil fora do Mapa da Fome depende da continuidade de políticas públicas voltadas à geração de emprego e renda, além de investimentos nas áreas de saúde, educação e segurança alimentar. Embora o índice represente o menor patamar da série histórica, o combate à fome ainda é considerado uma prioridade.
Atualmente, cerca de 77% da população brasileira vive em situação de segurança alimentar, com acesso regular e suficiente a alimentos de qualidade. No entanto, pesquisadores alertam que ainda há uma parcela significativa da população em situação de vulnerabilidade.
Para o pesquisador Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, vinculado à Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), é fundamental transformar em políticas permanentes as estratégias que contribuíram para a redução da insegurança alimentar no país. Segundo ele, a consolidação desses mecanismos é essencial para evitar retrocessos e garantir a continuidade dos avanços alcançados.
“Termos alcançado esse marco, pela segunda vez, de saída do Mapa da Fome, é resultado de uma intersetorialidade muito forte entre as políticas públicas. Isso precisa de fato ser mantido e, mais do que mantido, aprimorado.”
Segundo o pesquisador Lucas de Almeida Moura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome, o enfrentamento da insegurança alimentar vai muito além da oferta de alimentos. Para ele, é necessário fortalecer uma rede de políticas públicas que assegure o acesso da população à alimentação adequada, incluindo ações voltadas à geração de renda, educação, abastecimento de água, saneamento básico, segurança pública e emprego.
Moura é autor do estudo que desenvolveu o Índice Multidimensional de Insegurança Alimentar (MUFII, na sigla em inglês), ferramenta que avalia a fome no Brasil a partir de 12 indicadores relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O primeiro levantamento, divulgado em janeiro deste ano e publicado na revista científica Sustainability, analisou o período entre 2018 e 2022.
Os resultados apontam que o cenário nacional apresentou piora em 2022. Entre os estados brasileiros, Santa Catarina registrou o menor índice de insegurança alimentar multidimensional, enquanto Maranhão, Acre e Amazonas apresentaram os maiores percentuais. O estudo também mostra que a maior parte dos estados das regiões Norte e Nordeste supera a marca de 50% nesse indicador.
A expectativa dos pesquisadores é atualizar o índice com dados dos anos posteriores a 2022, permitindo acompanhar a evolução da insegurança alimentar e subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas ao combate à fome.
Políticas públicas
De acordo com a secretária Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Valéria Burity, a meta é garantir que os brasileiros consigam se alimentar com qualidade e que isso seja um direito de todos.
“Essa é uma meta de longo prazo de impacto: a gente garantir direito à alimentação adequada saudável como um direito para toda a população brasileira.”
Fonte: Agência Brasil