
Última modificação em 29 de maio de 2026 às 10:12
A possibilidade de ter dois dias de descanso por semana já começa a mudar a rotina — e os sonhos — de milhares de trabalhadores brasileiros. Após a Câmara dos Deputados aprovar a PEC que prevê o fim da escala 6×1, profissionais de diferentes áreas relatam expectativa de finalmente conseguir dedicar mais tempo à família, ao lazer e aos estudos.
A proposta, aprovada na noite de quarta-feira (27), ainda precisa passar pelo Senado antes de entrar em vigor. Mesmo assim, trabalhadores ouvidos pela Agência Brasil comemoraram a mudança.
Atendente de lanchonete no centro do Rio de Janeiro, Gessiane Roberto Vianna, de 28 anos, conta que mal consegue acompanhar o crescimento das filhas, de 12 e 7 anos. Trabalhando de segunda a sábado, ela passa boa parte do dia fora de casa, incluindo cerca de duas horas no transporte público.
“As meninas me cobram para ir à praia, passear, sair juntas, mas eu quase nunca consigo”, lamentou. Com uma possível segunda folga semanal, o desejo é simples: aproveitar mais momentos ao lado das crianças.
Quem também já faz planos é o balconista Emerson Santos, de 43 anos. Funcionário de uma farmácia na zona sul do Rio, ele sonha em voltar a fazer trilhas e visitar cachoeiras com o filho de 13 anos.
“Meu filho sempre pede para irmos juntos, mas é raro acontecer por causa do trabalho”, contou.
A expectativa também movimenta famílias inteiras. O gerente Victor Pacheco, de 23 anos, acredita que a mudança vai beneficiar diretamente sua mãe, funcionária de uma fábrica de biscoitos e submetida à mesma escala.
“Ela sai de casa de manhã e chega quase meia-noite. Quando nossas folgas coincidem no domingo, a gente tenta se organizar para se ver”, disse.
Para mães trabalhadoras, o impacto pode ser ainda maior. Juliana de Mello*, de 21 anos, atendente de um quiosque de sorvete e mãe de uma criança de quase 2 anos, afirma que o tempo livre ajudaria até nas tarefas mais básicas.
“Quero poder levar ao pediatra, vacinar, acompanhar o crescimento dela”, afirmou.
Além da convivência familiar, há quem veja na mudança uma oportunidade para investir no futuro. A atendente Stephanie Gonzaga, de 34 anos, pretende usar o tempo extra para se dedicar ao curso técnico de enfermagem.
“Para estudar, a gente precisa de tempo e disposição. Quando está muito cansada, acaba desistindo”, explicou.
Em São Paulo, trabalhadores também comemoraram o avanço da proposta. O porteiro Everton França acredita que o fim da escala 6×1 pode até incentivar profissionais a retornarem para áreas que abandonaram devido à carga excessiva de trabalho.
“Sou metalúrgico e saí da profissão porque a escala era muito puxada. Agora já penso em voltar”, afirmou.
A PEC do fim da escala 6×1 ainda será analisada pelo Senado Federal.
Fonte: Agência Brasil