
Última modificação em 28 de maio de 2026 às 10:14
Os cânceres associados ao HPV continuam provocando milhares de mortes todos os anos no Brasil, principalmente entre mulheres. Um estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics aponta que doenças relacionadas ao vírus causam, em média, 7.526 mortes anuais no país.
Segundo a pesquisa, cerca de 6.430 dessas mortes ocorrem entre mulheres, principalmente em decorrência do câncer de colo do útero, responsável por mais de 77% dos óbitos ligados ao HPV no período analisado.
O levantamento utilizou dados do Ministério da Saúde entre os anos de 2011 e 2019 e revelou um cenário mais preocupante nas regiões Norte e Nordeste, que concentram as maiores taxas de incidência e mortalidade da doença.
Diagnóstico tardio agrava cenário
De acordo com os pesquisadores, fatores como desigualdade social, dificuldade de acesso aos serviços de saúde, baixa cobertura de exames preventivos e demora no diagnóstico ajudam a explicar os altos índices registrados no país.
Apesar de o Brasil possuir programa nacional de rastreamento desde 1988, apenas cerca de 40% das mulheres realizam regularmente o exame preventivo. Além disso, mais de 60% dos casos de câncer de colo do útero são descobertos em estágios avançados, reduzindo as chances de tratamento eficaz.
O estudo também alerta que o HPV não está associado apenas ao câncer de colo do útero. O vírus pode causar tumores no ânus, pênis, vagina, vulva e garganta, atingindo homens e mulheres.
Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores foi o aumento nos casos e nas mortes relacionadas ao câncer anal ao longo dos últimos anos analisados.
Vacina e prevenção podem evitar milhares de mortes
Especialistas reforçam que grande parte das mortes relacionadas ao HPV poderia ser evitada com vacinação e diagnóstico precoce.
A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no SUS e é considerada a principal forma de prevenção contra os cânceres causados pelo vírus. A imunização é recomendada principalmente para crianças e adolescentes antes do início da vida sexual, período em que a proteção apresenta maior eficácia.
Além da vacinação, médicos destacam a importância da realização periódica do exame papanicolau, capaz de identificar lesões precursoras antes que evoluam para câncer.
Pesquisadores e autoridades de saúde defendem que ampliar o acesso à vacinação e aos exames preventivos é fundamental para reduzir os números da doença e evitar milhares de mortes nos próximos anos.
Fonte: Folha de Boa Vista