
Última modificação em 28 de maio de 2026 às 09:28
Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info revela que as dores menstruais têm impactado diretamente a rotina escolar de estudantes brasileiras. Segundo o levantamento, quatro em cada dez alunas faltam às aulas mensalmente por causa das cólicas, enquanto seis em cada dez relatam dores moderadas ou intensas que prejudicam o desempenho escolar e exigem o uso de medicamentos.
O estudo ouviu 2.551 estudantes, além de professores e gestores de escolas públicas e privadas de todas as regiões do país. Entre os principais sintomas apontados pelas estudantes estão cólicas intensas, cansaço, dores no corpo, dor de cabeça, dor abdominal, vergonha de vazamentos e falta de acesso a banheiros ou produtos de higiene menstrual.
A pesquisa também aponta que os sintomas podem levar a até dois dias de ausência por mês. Para o Instituto Alana, o problema vai além do desconforto físico e afeta diretamente a aprendizagem, o vínculo das estudantes com a escola e as oportunidades educacionais ao longo da vida.
Desigualdade racial amplia impactos
O levantamento identificou diferenças raciais relacionadas aos impactos da menstruação. Embora meninas brancas relatem sentir dores mais intensas, as estudantes negras são as que mais faltam às aulas por motivos menstruais.
Segundo os dados, 14,5% das alunas negras deixam de frequentar a escola entre dois e cinco dias por mês devido aos sintomas menstruais. Entre as estudantes brancas, o índice é de 9,6%.
Para especialistas envolvidas na pesquisa, as meninas negras tendem a naturalizar mais a dor por questões culturais e sociais, o que faz com que relatem menos os sintomas, mesmo sofrendo impactos significativos na rotina escolar.
Falta de estrutura afeta Norte e Centro-Oeste
A ausência de infraestrutura adequada também aparece como fator importante para o afastamento escolar. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a falta de banheiros e de produtos de higiene menstrual foi apontada como motivo frequente para faltas às aulas.
O estudo defende que garantir acesso à higiene menstrual é uma condição básica para permanência escolar e redução das desigualdades.
Menstruação precoce e dores mais fortes
A pesquisa mostra ainda que a primeira menstruação tem ocorrido cada vez mais cedo no Brasil. Mais de 36% das meninas entrevistadas menstruaram até os 10 anos de idade.
O levantamento associa a menarca precoce a dores menstruais mais intensas. Entre as estudantes que menstruaram aos 10 anos, 43% relataram cólicas fortes.
Escolas e profissionais também são afetadas
Os impactos da menstruação não atingem apenas as estudantes. O estudo mostra que professoras e gestoras escolares também convivem com dores intensas e faltas ao trabalho relacionadas ao ciclo menstrual.
Entre as gestoras entrevistadas, 28,3% relataram cólicas fortes e 16,9% disseram já ter faltado ao trabalho por motivos menstruais.
Tabu e falta de informação
A pesquisa aponta ainda que a menstruação segue sendo tratada como tabu nas escolas. Entre os estudantes do sexo masculino, 36,8% afirmaram não pensar muito sobre o tema.
Especialistas defendem que os debates sobre saúde menstrual devem começar antes da primeira menstruação e envolver também os meninos, para reduzir constrangimentos e ampliar a rede de apoio às estudantes.
Naturalização da dor pode atrasar diagnósticos
O estudo alerta que tratar dores menstruais intensas como algo “normal” pode atrasar o diagnóstico de doenças como a endometriose, que afeta uma em cada dez mulheres e pode levar anos para ser identificada.
Para o Instituto Alana, investir em saúde menstrual dentro das escolas é essencial para garantir o direito à educação, reduzir desigualdades e oferecer melhores condições de aprendizagem para meninas e adolescentes.
Fonte: Agência Brasil