
Última modificação em 15 de maio de 2026 às 10:23
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,1% no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Apesar do índice relativamente baixo, o levantamento mostra que as desigualdades raciais, de gênero e idade continuam marcando o mercado de trabalho brasileiro.
Entre pessoas pretas, a taxa de desocupação chegou a 7,6%, percentual 55% maior que o registrado entre pessoas brancas, cuja taxa ficou em 4,9%. Já entre pessoas pardas, o desemprego foi de 6,8%, índice 38,8% superior ao da população branca.
Os dados indicam que a diferença entre grupos raciais voltou a crescer. No último trimestre de 2025, o desemprego entre pessoas pretas era 52,5% maior que entre brancos. Durante a pandemia de covid-19, no segundo trimestre de 2020, a desigualdade atingiu o maior patamar da série histórica, chegando a 69,8%.
Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, fatores estruturais como escolaridade, localização e acesso a oportunidades influenciam diretamente nos resultados.
A pesquisa também aponta diferenças significativas na informalidade. A taxa nacional de trabalhadores sem carteira assinada, autônomos sem CNPJ ou empregadores informais ficou em 37,3%.
Entre pessoas brancas, o índice foi de 32,2%. Já entre pardos, a informalidade chegou a 41,6%, enquanto entre pessoas pretas alcançou 40,8%. O cenário indica maior exposição da população negra a empregos sem direitos trabalhistas, como férias, 13º salário e seguro-desemprego.
No recorte por gênero, as mulheres continuam enfrentando mais dificuldades para conseguir emprego. A taxa de desemprego feminina foi de 7,3%, enquanto entre os homens ficou em 5,1%. Assim, a desocupação entre mulheres permaneceu 43,1% maior do que a masculina.
Os jovens também aparecem entre os mais afetados. Pessoas de 14 a 17 anos registraram taxa de desemprego de 25,1%, a maior entre todas as faixas etárias analisadas pelo IBGE. Segundo o instituto, esse público costuma ocupar vagas mais temporárias e instáveis, geralmente como porta de entrada no mercado de trabalho.
Já entre pessoas com 60 anos ou mais, a taxa de desemprego foi de 2,5%, a menor do levantamento.
A pesquisa ainda mostra que, entre os brasileiros com 14 anos ou mais, os pardos representam a maior parcela da população, com 45,4%, seguidos por brancos (42,5%) e pretos (11,1%). O levantamento utiliza a autoidentificação racial como critério de classificação.
Fonte: Folha de Boa Vista