
Última modificação em 14 de maio de 2026 às 10:19
Os casos de hantavírus registrados no cruzeiro MV Hondius, que saiu de Ushuaia, na Argentina, com destino a Cabo Verde, na África, acenderam o alerta de autoridades sanitárias internacionais e reacenderam o debate sobre a circulação da doença no Brasil.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o país contabilizou sete casos confirmados de hantavirose em 2026, com uma morte registrada até 27 de abril, no município de Carmo do Paranaíba (MG). Outro óbito, ocorrido nesta semana em Paulo Bento (RS), ainda está sob investigação.
Entre 1993 e 2025, o Brasil confirmou 2.429 casos da doença e 997 mortes.
Casos do cruzeiro envolvem cepa diferente
Especialistas afirmam que os casos identificados no navio MV Hondius não têm relação com os registros recentes no Brasil.
Segundo o infectologista Alexandre Naime Barbosa, a cepa encontrada no cruzeiro é a variante andina, que circula principalmente na Argentina e no Chile e possui características diferentes das cepas brasileiras.
“As infecções registradas em Minas Gerais e no Paraná ocorreram em contexto rural e seguem o padrão histórico da doença no país, ligado ao contato com roedores silvestres”, explicou.
O episódio ganhou repercussão internacional porque envolveu possível transmissão em ambiente fechado, situação considerada rara na hantavirose. Passageiros de mais de 20 nacionalidades estavam a bordo da embarcação e começaram a ser repatriados após a identificação dos casos.
Apesar da preocupação, especialistas descartam risco de pandemia.
“A transmissão sustentada entre humanos não acontece de forma eficiente como ocorre com influenza ou coronavírus. O caso do navio é considerado excepcional”, afirmou o médico.
Como ocorre a transmissão
O hantavírus é transmitido principalmente pela inalação de partículas contaminadas por urina, fezes e saliva de roedores silvestres.
De acordo com especialistas, o risco aumenta durante limpezas de ambientes fechados, como galpões, celeiros, depósitos e casas sem ventilação adequada.
Os primeiros sintomas incluem febre alta, dores no corpo, mal-estar, dor de cabeça, náuseas e vômitos. Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória aguda.
Segundo o infectologista, a taxa média de letalidade da hantavirose no Brasil é de 46,5%, considerada elevada pelas autoridades de saúde.
Prevenção
Entre as principais orientações para prevenção estão:
- evitar varrer locais fechados sem ventilação;
- utilizar máscaras, luvas e óculos de proteção durante limpezas;
- manter alimentos armazenados corretamente;
- evitar contato com roedores silvestres.
Especialistas também alertam que não existe tratamento antiviral específico contra a doença e que medicamentos como ivermectina e cloroquina não possuem eficácia comprovada para hantavirose.
O tratamento é baseado em suporte intensivo e diagnóstico precoce.
Fonte: Correio Braziliense