
Última modificação em 14 de maio de 2026 às 08:59
As urnas eletrônicas, que completam 30 anos de utilização no Brasil nesta quarta-feira (13), seguem no centro das narrativas de desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro. É o que aponta uma pesquisa do Projeto Confia, iniciativa vinculada ao Pacto pela Democracia.
De acordo com o levantamento, mais de 45% dos conteúdos falsos compartilhados durante os últimos ciclos eleitorais tinham como foco ataques ao funcionamento das urnas eletrônicas.
Na sequência aparecem conteúdos direcionados contra o Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, com 27,1%, além de teorias sobre supostas fraudes na apuração dos votos, que representam 21,8% dos casos analisados. Já as desinformações relacionadas às regras e à logística eleitoral correspondem a 15,4%.
Entre as fake news mais recorrentes identificadas pelo estudo estão mensagens alegando suposto atraso no botão “confirma” e conteúdos falsos afirmando que a urna completaria automaticamente os números digitados pelo eleitor.
Segundo Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, as narrativas exploram o desconhecimento técnico de parte da população sobre o funcionamento do sistema eletrônico de votação.
“As narrativas recorrem a falsas explicações técnicas para sugerir falhas e possibilidades de manipulação. Elementos concretos da experiência de votação, como as teclas da urna e as mensagens exibidas na tela, são utilizados para gerar estranhamento e alimentar dúvidas”, afirmou.
A pesquisadora destaca ainda que o contato limitado da população com as urnas favorece a disseminação de informações falsas.
“As pessoas só têm acesso à urna a cada dois anos, no domingo de votação. Isso faz com que, se alguém espalha uma notícia falsa sobre um botão ou uma tecla, muita gente não tenha como checar rapidamente”, explicou.
Estudo analisou eleições de 2022 e 2024
O levantamento avaliou mais de 3 mil conteúdos publicados durante as eleições de 2022 e 2024. Desses, 716 materiais passaram por análise qualitativa aprofundada. Segundo o estudo, 326 mensagens continham ataques diretamente relacionados às urnas eletrônicas, o equivalente a mais de 45% do total analisado.
O Projeto Confia informou que o objetivo da pesquisa é identificar as origens da desconfiança sobre o sistema eleitoral e preparar estratégias de enfrentamento à desinformação nas eleições de 2026.
Confiança nas urnas
Uma pesquisa Quaest divulgada em fevereiro deste ano aponta que 53% dos brasileiros afirmam confiar nas urnas eletrônicas. Em 2022, um levantamento do Datafolha divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral mostrava índice de 82%. Entre pessoas com 60 anos ou mais, 53% afirmam confiar no sistema eletrônico de votação. Já entre jovens de 16 a 34 anos, o índice chega a 57%.
Na faixa etária entre 35 e 50 anos, metade dos entrevistados declarou não confiar nas urnas eletrônicas.
Para Helena Salvador, ampliar a compreensão pública sobre o funcionamento do sistema é fundamental para combater a desinformação.
“Ninguém critica as urnas apenas dizendo que elas são ruins, existem explicações bastante sofisticadas online tentando convencer as pessoas de que o sistema não funciona. Isso mostra a importância de tornar mais compreensível o caminho do voto, desde o momento em que o eleitor aperta a tecla até a totalização”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil