
Última modificação em 10 de abril de 2026 às 09:46
Apesar do crescimento de novas formas de trabalho, o emprego com carteira assinada segue como a principal preferência dos brasileiros. É o que mostra uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta o modelo formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como o mais atrativo para quem busca uma vaga.
De acordo com o levantamento, 36,3% dos trabalhadores que procuraram emprego recentemente preferem a CLT. O modelo aparece à frente de outras opções, como o trabalho autônomo (18,7%), o emprego informal (12,3%) e o trabalho por plataformas digitais (10,3%). Outros 9,3% indicaram preferência por abrir o próprio negócio, enquanto 6,6% optariam por atuar como pessoa jurídica (PJ). Além disso, 20% afirmaram não ter encontrado oportunidades atrativas.
Segundo a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, a preferência pelo emprego formal está diretamente ligada à segurança oferecida pelo modelo.
“Embora novas modalidades de trabalho estejam crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam, portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em contexto de maior flexibilização das relações de trabalho”, diz.
Jovens priorizam estabilidade
Entre os mais jovens, a preferência pela carteira assinada é ainda maior. De acordo com o estudo, 41,4% dos trabalhadores de 25 a 34 anos optam pelo regime CLT, enquanto entre aqueles de 16 a 24 anos o índice é de 38,1%.
Para Claudia Perdigão, esse comportamento reflete a busca por estabilidade no início da vida profissional.
Trabalho por aplicativo é renda complementar
A pesquisa também indica que o trabalho em plataformas digitais, como transporte e entrega por aplicativo, é visto principalmente como complemento de renda. Apenas 30% dos entrevistados consideram essa atividade como principal fonte de sustento.
Alto nível de satisfação no emprego
Outro dado relevante do levantamento é o alto índice de satisfação dos trabalhadores com seus empregos atuais. Segundo a pesquisa, 95% afirmam estar satisfeitos, sendo que 70% se dizem muito satisfeitos. Já 4,6% estão insatisfeitos e 1,6% muito insatisfeitos.
Esse cenário ajuda a explicar a baixa mobilidade no mercado de trabalho. Apenas 20% dos entrevistados disseram ter buscado outro emprego recentemente. Entre jovens de 16 a 24 anos, o percentual sobe para 35%, enquanto entre trabalhadores com mais de 60 anos cai para 6%.
O tempo no emprego também influencia esse movimento: 36,7% dos que estão há menos de um ano no trabalho procuraram outra vaga, contra 9% daqueles com mais de cinco anos na mesma função.
Realizada pelo Instituto Nexus em parceria com a CNI, a pesquisa ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. O levantamento foi feito entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025 e divulgado nesta semana.
Fonte: Agência Brasil