
Última modificação em 7 de abril de 2026 às 09:51
O comprometimento da renda das famílias brasileiras segue elevado, com maior impacto na Região Norte, onde os consumidores destinam, em média, 80,5% dos rendimentos a despesas financeiras. O dado é de levantamento da Serasa Experian e coloca a região no topo do ranking nacional, evidenciando forte pressão sobre o orçamento doméstico.
Na outra ponta, a Região Sul apresenta o menor nível de comprometimento, com 71,9% da renda. A diferença entre as duas regiões chega a 8,6 pontos percentuais. O Nordeste aparece na sequência, com 78%, seguido pelo Centro-Oeste, com 74,7%, enquanto o Sudeste também registra índices mais baixos, indicando maior margem financeira relativa.
Renda menor aumenta peso das despesas
A desigualdade regional se torna ainda mais evidente ao cruzar os dados de renda média com o nível de endividamento. O Sudeste lidera com renda média de R$ 4.448, seguido pelo Sul (R$ 4.308) e Centro-Oeste (R$ 4.296). Já o Norte registra R$ 3.018, enquanto o Nordeste tem o menor valor, com R$ 2.821.
Na prática, regiões com menor renda acabam comprometendo uma parcela maior dos ganhos com despesas financeiras. Esse cenário reduz a capacidade de consumo, dificulta a formação de poupança e limita a absorção de imprevistos no orçamento familiar.
“Em finanças pessoais, um comprometimento de renda na casa dos 80% é um risco elevado sobre o orçamento. Isso é um sinal de alerta, uma vez que a margem de manobra praticamente desaparece”, afirma Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian.
Pressão persistente
A série histórica mostra que o nível de comprometimento da renda permanece elevado desde 2022, especialmente nas regiões mais vulneráveis. No Norte, o índice recuou de 81,9% para 80,5% até 2025, mantendo-se acima de 80% ao longo de todo o período.
No Nordeste, a variação foi de 79,4% para 78%. Já o Sul apresentou queda de 73,2% para 71,9%, enquanto o Sudeste passou de 73,4% para 72,7%. O Centro-Oeste manteve estabilidade próxima de 75% nos anos analisados.
Apesar do crescimento da renda média em todas as regiões, o avanço ocorreu de forma desigual. O Sul passou de R$ 4.075 para R$ 4.308 e o Sudeste de R$ 4.227 para R$ 4.448. Já o Norte teve leve alta de R$ 3.007 para R$ 3.018, enquanto o Nordeste subiu de R$ 2.766 para R$ 2.821.
“Os dados mostram que renda e despesas financeiras evoluíram praticamente no mesmo ritmo nos últimos anos, mantendo o comprometimento em patamares elevados”, afirma Eduardo Mônaco, vice-presidente de crédito e plataformas da Serasa Experian.
O levantamento foi elaborado com base na solução Renda 5.0, que reúne informações sobre renda média, origem dos rendimentos e nível de comprometimento financeiro, considerando dívidas, contas básicas e outras despesas, com referência em novembro de 2025.
Fonte: Roraima 1