
Última modificação em 26 de março de 2026 às 11:31
A Justiça da Itália autorizou, nesta quinta-feira (26), a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. A decisão foi tomada pela Corte de Apelação italiana, responsável por analisar o pedido feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar do aval judicial, o processo ainda não está encerrado. A defesa já anunciou que irá recorrer, e o caso ainda passará por instâncias superiores antes de uma decisão final do governo italiano.
Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão em regime inicial fechado por envolvimento na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Após a condenação, ela deixou o Brasil em maio de 2025, sendo posteriormente considerada foragida da Justiça brasileira.
O pedido de extradição foi formalizado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, após o trânsito em julgado da ação — quando não há mais possibilidade de recurso.
Prisão na Itália
A ex-deputada foi presa em julho de 2025, após ter seu nome incluído na lista vermelha da Interpol. Desde então, permanece detida enquanto aguarda a tramitação do processo de extradição.
A Justiça italiana decidiu mantê-la presa durante o andamento do caso, considerando haver risco de fuga. Durante esse período, o processo enfrentou atrasos e chegou a ter quatro audiências adiadas, incluindo paralisações por greve de advogados e apresentação de novos documentos pela defesa.
Zambelli possui cidadania italiana e, antes de chegar à Itália, passou pelos Estados Unidos. Em manifestações públicas, afirmou ser vítima de perseguição política e declarou que pretende provar sua inocência.
Entenda o caso
Em 15 de maio de 2025, a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto pela invasão aos sistemas do CNJ.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), os dois inseriram documentos falsos em plataformas oficiais com o objetivo de desacreditar a Justiça brasileira.
- Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão em regime fechado, além da perda do mandato;
- Delgatti recebeu pena de oito anos e três meses de prisão, também em regime fechado.
Poucos dias após a condenação, em 25 de maio de 2025, a ex-deputada deixou o país pela fronteira com a Argentina e seguiu para o exterior.
Em 7 de junho do mesmo ano, o STF decretou a prisão definitiva dos envolvidos e encaminhou o pedido de extradição às autoridades italianas.
Renúncia ao mandato
Em dezembro de 2025, após decisão do STF que determinou a cassação de seu mandato, Zambelli apresentou carta de renúncia à Câmara dos Deputados.
No documento, afirmou ser alvo de perseguição e declarou que sua trajetória pública “não foi forjada”. A renúncia, no entanto, não altera os efeitos da condenação, que já prevê a perda dos direitos políticos e a inelegibilidade.
A expectativa agora é pela análise dos recursos apresentados pela defesa e pela decisão final do governo italiano sobre a extradição.
Fonte: G1