
Última modificação em 25 de março de 2026 às 11:35
“Inglês avançado” que não se sustenta na entrevista, domínio técnico que desaparece diante de perguntas básicas e cargos inflados no papel. Essas são algumas das distorções mais frequentes em currículos — e também as mais facilmente identificadas por recrutadores.
Um levantamento da Robert Half, feito com 774 profissionais no Brasil, revela que 58% dos recrutadores já eliminaram candidatos logo nas primeiras etapas por inconsistências nas informações apresentadas.
A pesquisa lista os cinco tipos de “mentiras” mais comuns em currículos:
- Habilidades técnicas exageradas: domínio declarado que não se comprova na prática;
- Experiência inflada: cargos e responsabilidades ampliados além da realidade;
- Idiomas superestimados: nível informado não se sustenta em uma conversa;
- Motivos maquiados para saídas: justificativas ajustadas para parecerem mais positivas;
- Conquistas inflacionadas: resultados descritos como maiores do que realmente foram.
A tentativa de “melhorar” o currículo geralmente busca aumentar as chances de passar na triagem inicial. Na prática, porém, o efeito costuma ser o oposto: as inconsistências aparecem ao longo da seleção e pesam na decisão final.
Apesar disso, 74% dos profissionais afirmam nunca ter omitido ou distorcido informações. Outros 15% admitem já ter feito ajustes no currículo, enquanto 10% dizem ter considerado essa possibilidade.
Segundo o estudo, o comportamento está mais ligado à pressão do mercado de trabalho do que à intenção direta de enganar. Entre os fatores estão a competitividade, o medo de lacunas na carreira, a urgência por recolocação e a insegurança profissional.
Uso de IA também entra no radar
Outro ponto que tem chamado atenção dos recrutadores é o uso de inteligência artificial na elaboração de currículos e preparação para entrevistas.
Embora a tecnologia ajude na organização das informações, o uso excessivo pode gerar sinais claros durante o processo seletivo. Entre os principais indícios estão:
- Respostas mecânicas ou padronizadas;
- Inconsistência entre o currículo e a fala;
- Dificuldade em responder de forma espontânea;
- Falta de profundidade ao explicar experiências;
- Incapacidade de justificar decisões técnicas;
- Linguagem excessivamente formal;
- Resultados “perfeitos demais”;
- Respostas semelhantes a modelos de IA;
- Perda de fluidez ao aprofundar o tema;
- Dificuldade em explicar o próprio histórico.
Para Marcela Esteves, diretora da Robert Half, o uso da tecnologia deve ser equilibrado. Segundo ela, ferramentas podem ajudar na estruturação do currículo, mas não substituem a experiência real.
Quando há distância entre o que está no papel e a trajetória do candidato, isso tende a ficar evidente durante a entrevista — e pode comprometer a credibilidade profissional.
Fonte: G1