
Última modificação em 25 de março de 2026 às 10:29
A abertura da janela partidária, no início de março, deu início a uma nova rodada de mudanças na Câmara dos Deputados, com parlamentares em busca de melhores condições para disputar as eleições de 2026.
Até o dia 3 de abril, deputados federais podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. O período tem impulsionado negociações e provocado uma reconfiguração das estratégias políticas em todo o país.
Desde o início da janela, pelo menos 20 deputados já formalizaram ou anunciaram mudança de legenda, segundo levantamento do Congresso em Foco — número superior ao registrado oficialmente pela Câmara até o fechamento desta matéria.
Entre os partidos, o Partido Liberal aparece como principal destino das movimentações, com seis novos integrantes. Na sequência, Partido da Social Democracia Brasileira e Movimento Democrático Brasileiro registram quatro e três adesões, respectivamente.
Por outro lado, o União Brasil lidera as perdas, com seis saídas. Também tiveram baixas Republicanos, Partido Liberal, Partido Social Democrático e o próprio Partido da Social Democracia Brasileira, com duas cada.
Reorganização antes da eleição
Prevista na legislação eleitoral, a janela partidária é uma exceção à regra da fidelidade partidária, que normalmente exige que parlamentares eleitos pelo sistema proporcional permaneçam na legenda sob risco de perder o mandato.
Com duração de 30 dias, o período funciona como uma fase institucionalizada de reorganização política antes das eleições. Na prática, as mudanças costumam ser motivadas mais por estratégias eleitorais e articulações regionais do que por afinidade ideológica.
No Tocantins, por exemplo, o deputado Vicentinho Júnior deixou o PP para se filiar ao PSDB, buscando viabilizar sua candidatura ao governo estadual. O movimento foi acompanhado por Toinho Andrade.
Disputa pelo Senado impulsiona trocas
A janela também tem sido usada como ferramenta para viabilizar candidaturas ao Senado. Em Goiás, Zacharias Calil deixou o União Brasil e ingressou no MDB com esse objetivo.
Já em São Paulo, o deputado Kim Kataguiri trocou o União Brasil pelo partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL). A estratégia busca fortalecer a nova sigla e garantir estrutura para atuação no Congresso.
Cenário mais pressionado
A janela partidária de 2026 ocorre em um ambiente de maior pressão política. Cerca de 80 deputados já sinalizaram intenção de disputar outros cargos, como governos estaduais e vagas no Senado.
Com isso, o período deixou de ser apenas um ajuste interno das bancadas e passou a ter papel central na formação de alianças e chapas eleitorais. Em vários estados, as negociações envolvem filiações, fusões e acordos que impactam diretamente o tempo de televisão, o acesso ao fundo partidário e a força dos palanques regionais.
Regras e quem pode mudar de partido
A janela partidária beneficia apenas deputados federais, estaduais e distritais em fim de mandato. Vereadores eleitos em 2024 não estão incluídos.
Já ocupantes de cargos majoritários, como presidente da República, governadores e senadores, podem trocar de partido a qualquer momento, sem necessidade de justificar a desfiliação.
Criada para reduzir a troca excessiva de legendas, a regra da fidelidade partidária prevê perda de mandato em caso de saída sem justa causa. A janela, incorporada à legislação na reforma eleitoral de 2015, flexibiliza essa exigência por um período limitado.
O histórico recente mostra a dimensão desse mecanismo: em 2018, ao menos 85 deputados mudaram de partido durante a janela; em 2022, foram cerca de 120. A expectativa é de que o movimento siga intenso até o fim do prazo, com impacto direto na composição da Câmara e no cenário eleitoral de 2026.
Fonte: Brasil 61