Pesquisa aponta resultados em maratonas acima dos 40km. Foto: Divulgação/ Revista Blog da Escalada
Última modificação em 19 de fevereiro de 2026 às 10:45
Participar de provas de resistência extrema — como ultramaratonas de 40 a 170 km — pode provocar danos mecânicos e moleculares nos glóbulos vermelhos, acelerando o envelhecimento dessas células do sangue e aumentando sua destruição. É o que aponta um estudo publicado na revista científica Blood Red Cells & Iron, da Sociedade Americana de Hematologia.
A pesquisa mostra que, após corridas muito longas, os glóbulos vermelhos ficam menos flexíveis — característica essencial para atravessar vasos sanguíneos estreitos e transportar oxigênio pelo corpo. Com isso, cresce o risco de perda celular e de prejuízo na função dessas células.
⚠️ Os autores ressaltam que o resultado não se aplica à prática comum de corrida ou atividade física moderada, mas a provas de resistência extrema.
O que o estudo descobriu
- Corridas longas reduzem a elasticidade dos glóbulos vermelhos;
- As células apresentam sinais de estresse mecânico (deformações repetidas na circulação);
- Também há estresse molecular, ligado à inflamação e ao estresse oxidativo;
- Os danos surgem já em provas de 40 km e aumentam em distâncias como 171 km;
- Quanto maior a distância, maior a destruição de glóbulos vermelhos.
Segundo os autores, o achado sugere que o esforço prolongado acelera o desgaste da célula mais abundante do organismo.
Como a pesquisa foi feita
Cientistas analisaram 23 corredores que participaram de duas provas internacionais de ultrarresistência:
- Martigny–Combes a Chamonix (40 km)
- Ultra Trail du Mont Blanc (171 km)
A equipe coletou sangue antes e depois das provas e examinou milhares de componentes celulares — proteínas, lipídios, metabólitos e oligoelementos — tanto no plasma quanto nos glóbulos vermelhos. O resultado revelou alterações estruturais e químicas nas células após o esforço extremo.
O que ainda não se sabe
Os pesquisadores destacam limitações importantes:
- amostra pequena (23 atletas);
- medições em apenas dois momentos (pré e pós-prova);
- falta de dados sobre duração e impacto clínico dos danos.
Ainda não está claro quanto tempo o organismo leva para reparar as células nem se há consequências de longo prazo para a saúde.
O que isso significa na prática
O estudo reforça evidências de que exercícios em níveis extremos podem ter efeitos biológicos negativos — mas não desestimula atividade física. Pelo contrário: os autores sugerem que compreender esses efeitos pode ajudar a desenvolver estratégias de proteção para atletas de ultrarresistência, como:
- treinos individualizados;
- ajustes nutricionais;
- protocolos de recuperação mais eficazes.
Para a população em geral, a conclusão permanece a mesma das diretrizes médicas: atividade física regular e moderada traz benefícios amplamente comprovados para a saúde.
Fonte: O Globo
Por: M3 Comunicação Integrada