Pesquisadoras alertam para comportamento de dependência. Foto: Reprodução/ Qustodio
Última modificação em 16 de fevereiro de 2026 às 09:24
Pesquisas conduzidas por acadêmicas da Universidade de Macau indicam que o consumo frequente de vídeos curtos em redes sociais — especialmente no formato de rolagem contínua em celulares — pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo de crianças e favorecer problemas como ansiedade social e insegurança.
“O consumo compulsivo de vídeos curtos tem um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo, podendo causar falta de concentração, ansiedade social e insegurança”, explicou a psicóloga educacional Wang Wei, autora de um dos estudos sobre o tema. Segundo ela, quanto maior o tempo de exposição a esse tipo de conteúdo, menor tende a ser o envolvimento escolar dos estudantes.
A pesquisadora alerta que o design dessas plataformas — com algoritmos personalizados e interações rápidas — atende de forma imediata necessidades psicológicas básicas das crianças, o que pode incentivar uso excessivo e até dependência. “Esta concepção de vídeos curtos pode ser particularmente perigosa para as crianças”, afirmou.
A também psicóloga Anise Wu Man Sze acrescenta que a superestimulação provocada por conteúdos rápidos e altamente atrativos prejudica ainda mais o desenvolvimento cognitivo saudável. “Estão logo ali à mão e são gratuitos, podendo ser acessados a qualquer hora e lugar”, destacou.
Segundo Wu, comportamentos compulsivos relacionados a vídeos curtos muitas vezes surgem como forma de fuga de estresse ou pressões do cotidiano. A dependência pode levar crianças a negligenciar sono, tempo em família e até atividades escolares. Fatores como ambiente, estresse e predisposição individual também influenciam esse quadro.
As pesquisadoras defendem que a resposta não deve ser apenas retirar o celular, mas fortalecer competências emocionais e de autorregulação digital. “É muito importante satisfazer as necessidades emocionais das crianças e cultivar o uso digital saudável”, afirmou Wang.
Dados oficiais chineses mostram a dimensão do fenômeno: até o fim de 2024, cerca de 1,1 bilhão de pessoas no país consumiam vídeos curtos, com 98,4% de usuários ativos. A indústria audiovisual online superou 1,22 trilhão de yuan, impulsionada principalmente por vídeos curtos e transmissões ao vivo.
Fonte: Agência Brasil/ Agência Lusa
Por: M3 Comunicação Integrada