Pessoas fazendo compras em rua pública. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Última modificação em 13 de fevereiro de 2026 às 10:17
As vendas no varejo do Brasil registraram retração de 0,4% em dezembro, segundo dados divulgados pelo IBGE, marcando o pior desempenho mensal de 2025. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado financeiro, que projetava queda de 0,2%, evidenciando uma desaceleração mais intensa do consumo no fim do ano.
Desempenho do varejo em 2025 perde ritmo
Apesar da queda no último mês, o comércio varejista encerrou 2025 com crescimento acumulado de 1,6%. Ainda assim, o avanço ficou bem abaixo da expansão de 4,1% observada em 2024, indicando perda de dinamismo da atividade econômica ao longo do período.
No quarto trimestre, o setor apresentou alta de 1% frente aos três meses anteriores, revertendo a retração de 0,3% registrada no terceiro trimestre. Porém, a performance mensal revelou fragilidade, com seis quedas ao longo do ano.
Black Friday impacta vendas de dezembro
De acordo com análise do IBGE, a antecipação das compras natalinas durante a Black Friday contribuiu para o recuo nas vendas em dezembro. Em novembro, o setor havia apresentado crescimento de 1,0%, impulsionado por promoções e condições facilitadas de pagamento.
Na comparação anual, as vendas subiram 2,3% frente a dezembro de 2024, resultado levemente inferior à expectativa de 2,5%.
Juros elevados e crédito pressionam consumo
A política monetária restritiva influenciou diretamente o desempenho do comércio em 2025. A taxa Selic permaneceu em 15% ao ano, impactando principalmente segmentos dependentes de crédito, como:
- Veículos e autopeças
- Móveis e eletrodomésticos
- Bens duráveis em geral
Mesmo com mercado de trabalho aquecido e aumento da renda, o consumo perdeu tração diante do custo elevado do financiamento. O Banco Central sinalizou possível início de cortes na taxa básica de juros a partir de março, o que pode alterar o cenário para 2026.
Setores que mais cresceram e os que mais caíram
Entre os destaques positivos de 2025 estiveram:
- Farmacêuticos, médicos e perfumaria (+4,5%)
- Móveis e eletrodomésticos (+4,5%)
- Equipamentos de informática e comunicação (+4,1%)
O segmento de eletrônicos foi beneficiado pela valorização do real frente ao dólar, favorecendo a venda de produtos importados como smartphones e notebooks.
Em dezembro, no entanto, seis das oito atividades pesquisadas pelo IBGE registraram queda, com destaque para:
- Artigos farmacêuticos e perfumaria (-5,1%)
- Livros, jornais e papelaria (-2,0%)
- Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,8%)
As únicas altas no mês foram observadas em:
- Equipamentos de informática e comunicação (+6,0%)
- Combustíveis e lubrificantes (+0,3%)
Varejo ampliado também recua
O chamado varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado de alimentos, apresentou queda de 1,2% em dezembro frente ao mês anterior.
No acumulado de 2025, o crescimento foi praticamente nulo, com leve alta de 0,1%, após expansão de 3,7% em 2024. O desempenho foi impactado principalmente pela retração nas vendas de veículos e pela queda no atacado especializado em produtos alimentícios.
Perspectivas para 2026
Os dados reforçam um cenário de desaceleração do consumo no encerramento de 2025. Setores ligados a bens duráveis e itens discricionários demonstraram maior volatilidade, enquanto parte do consumo essencial perdeu força na margem.
Com a sinalização de possível redução da Selic, o mercado acompanha as expectativas para 2026, quando a combinação entre juros mais baixos e manutenção do emprego pode contribuir para uma recuperação gradual do comércio varejista brasileiro.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada