O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Nelson Jr/STF
Última modificação em 13 de fevereiro de 2026 às 09:23
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (12) retirar o ministro Dias Toffoli da relatoria do processo que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A determinação foi formalizada no processo 244 AS e prevê a redistribuição do caso por meio de novo sorteio entre os ministros da Corte.
A medida foi adotada após a divulgação de informações de que o nome de Toffoli teria sido citado em conversas atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e investigado no inquérito.
Apesar da decisão de afastamento da relatoria, os dez ministros do STF, incluindo o próprio Toffoli, entenderam que não havia fundamento jurídico para acolher o pedido de suspeição — instrumento utilizado quando se questiona a imparcialidade de um magistrado. Ainda assim, a pedido do ministro, a Presidência do Supremo determinou o envio do processo para nova distribuição, com a extinção formal da arguição de suspeição.
Entenda o caso Banco Master
A investigação envolvendo o Banco Master ganhou repercussão nacional após a instituição ser liquidada pelo Banco Central, sob suspeita de irregularidades financeiras bilionárias. O inquérito, conhecido como Operação Compliance Zero, apura indícios de concessão de créditos fictícios, inconsistências contábeis e possíveis fraudes que podem ultrapassar R$ 17 bilhões.
O caso foi remetido ao STF em novembro de 2025 porque envolveria autoridades com foro por prerrogativa de função, entre elas um deputado federal.
Além das suspeitas de fraude, a apuração também examina tentativas de aquisição do Banco Master pelo BRB – Banco de Brasília, em meio ao contexto das investigações.
Relatório da Polícia Federal e pedido de suspeição
Dias Toffoli foi sorteado relator do processo em 28 de novembro de 2025 e passou a conduzir as diligências no Supremo. No entanto, decisões adotadas ao longo da investigação foram alvo de questionamentos.
Nos últimos dias, a Polícia Federal encaminhou ao STF um relatório pericial extraído do celular de Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas, mensagens encontradas no aparelho mencionariam o nome do ministro.
Diante disso, a corporação solicitou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a declaração de suspeição de Toffoli na condução do caso.
O gabinete do ministro afirmou que o pedido se baseava em “ilações” e sustentou que a Polícia Federal não teria legitimidade para requerer a suspeição, por não integrar formalmente o processo como parte. A defesa também informou que apresentou esclarecimentos à Presidência da Corte.
Nova fase da investigação no STF
Com a saída de Toffoli da relatoria, o processo será redistribuído por sorteio eletrônico entre os demais ministros do Supremo Tribunal Federal. A mudança marca uma nova etapa na tramitação de uma das investigações mais sensíveis atualmente em curso no Judiciário.
O ministro que assumir a relatoria ficará responsável por conduzir as próximas decisões relacionadas ao inquérito do Banco Master, incluindo análise de diligências, eventuais pedidos de indiciamento e desdobramentos processuais.
Fonte: Revista
Cenarium
Por: M3 Comunicação Integrada