Bandeira do Brasil à frente do prédio do Congresso Nacional, em Brasília. Foto: REUTERS/Adriano Machado
Última modificação em 10 de fevereiro de 2026 às 09:40
O Brasil manteve em 2025 um cenário de estagnação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), divulgado pela ONG Transparência Internacional. O país registrou 35 pontos, em uma escala que vai de 0 a 100 — quanto menor a nota, maior a percepção de corrupção — e permaneceu na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados.
O resultado repete a segunda pior nota da série histórica iniciada em 2012. Em relação a 2024, quando o país obteve 34 pontos, houve aumento de apenas um ponto, variação considerada “estatisticamente insignificante” pelos responsáveis pelo levantamento.
O IPC é calculado a partir de até 13 indicadores independentes que reúnem avaliações de especialistas, pesquisadores e executivos sobre práticas corruptas no setor público e os mecanismos de prevenção. No caso do Brasil, foram utilizados oito indicadores, o mesmo número adotado no ano anterior.
A série histórica mostra que o melhor desempenho brasileiro ocorreu em 2012 e 2014, com 43 pontos. Já o pior resultado foi registrado em 2024. Em 2025, mesmo com a leve recuperação numérica, o país segue abaixo da média global e regional.
Críticas apontam impunidade e falhas institucionais
Para o diretor-executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão, a estagnação ocorre apesar de episódios que chamaram atenção internacional, como a atuação “firme” do Supremo Tribunal Federal (STF) na responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“(O Brasil) também chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita, como INSS e Master, impunidade generalizada mesmo para corruptos confessos e condutas desmoralizantes de ministros do próprio STF”, avaliou Brandão.
Segundo a ONG, o Brasil está há cerca de dez anos abaixo da média global do índice. Em 2025, o país ficou abaixo tanto da média das Américas quanto da média mundial, ambas fixadas em 42 pontos.
Na avaliação de Brandão, os Três Poderes contribuíram para o desempenho negativo. Ele reconhece avanços do Executivo no uso de inteligência financeira no combate à lavagem de dinheiro associada ao crime organizado, mas critica o governo Lula por permitir a captura de agências regulatórias e estatais, além da manutenção da barganha política por meio das emendas parlamentares.
O Congresso Nacional também é alvo de críticas. De acordo com o diretor-executivo, parlamentares aprovaram medidas que enfraquecem o combate à corrupção, como o afrouxamento da Lei da Ficha Limpa, ao mesmo tempo em que ampliaram o volume de emendas.
Já em relação ao Judiciário, Brandão afirma que o STF teve papel relevante ao tentar impor maior transparência às emendas parlamentares, mas, ao mesmo tempo, “continua garantindo impunidade generalizada a casos de macrocorrupção, inclusive confessos”, além de apontar vínculos considerados suspeitos entre ministros da Corte e empresas envolvidas em processos.
Ranking mundial
No ranking global de 2025, os países mais bem avaliados foram Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88) e Cingapura (84). Na outra ponta, Somália e Sudão do Sul aparecem com apenas 9 pontos, enquanto a Venezuela registrou 10.
O Brasil ficou próximo de países como Sri Lanka (35 pontos); Argentina, Belize e Ucrânia (36); e Argélia, Bósnia e Herzegovina, Indonésia, Laos, Malawi, Nepal e Serra Leoa (34). Em 2025, dois novos países passaram a integrar o índice — Brunei e Belize — ambos posicionados acima do Brasil.
Fonte: O Globo
Por: M3 Comunicação Integrada