Levantamento acende alerta para desafios que a economia pode trazer ao consumidor em ano eleitoral. Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Última modificação em 6 de fevereiro de 2026 às 10:51
O endividamento das famílias brasileiras voltou a alcançar 79,5% em janeiro de 2026, repetindo o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgados nesta sexta-feira (6).
O índice representa alta de 0,6 ponto percentual em relação a dezembro. Apesar do recorde no endividamento, a inadimplência recuou para 29,3%, a menor taxa desde abril de 2025, indicando melhora na capacidade de pagamento das famílias.
“O endividamento no topo precisa ser analisado com cautela. Ele está diretamente ligado à taxa de juros no Brasil, uma das mais altas do mundo”, afirmou José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.
“É fundamental equilibrar as contas públicas para permitir a flexibilização da política monetária e aliviar consumidores e empresas.”
Renda comprometida cresce e percepção piora
A pesquisa mostra que a parcela média da renda comprometida com dívidas subiu para 29,7% em janeiro. Além disso, 16,1% dos consumidores se declaram muito endividados, maior percentual desde outubro de 2025.
Expectativa de queda da inadimplência
A CNC projeta que o endividamento continue avançando no primeiro semestre de 2026, como forma de sustentar o consumo. Em contrapartida, a inadimplência deve seguir em queda, impulsionada pela expectativa de redução da taxa Selic.
“Esperamos um alívio do aperto monetário a partir da próxima reunião do Copom, o que tende a reduzir os juros ao consumidor já no segundo trimestre”, destacou Fabio Bentes, economista-chefe da CNC.
Famílias de renda média concentram maior dificuldade
O levantamento aponta que famílias com renda entre três e cinco salários mínimos registraram o maior avanço no endividamento e maior dificuldade para honrar compromissos. Já aquelas com renda acima de dez salários mínimos foram as únicas a apresentar redução na incapacidade de pagamento.
O cartão de crédito segue como principal modalidade, presente em 85,4% das dívidas. Além disso, 19,5% das famílias brasileiras comprometem mais da metade da renda mensal com o pagamento de débitos.
Fonte: CNC
Por: M3 Comunicação Integrada