No total, país registrou 1.518 vítimas no ano passado. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Última modificação em 6 de fevereiro de 2026 às 11:12
O Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, número recorde desde a criação da Lei do Feminicídio, que completou dez anos no mesmo período. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública e indicam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em crimes motivados por violência doméstica e discriminação de gênero.
Em 2024, o país já havia alcançado um recorde histórico, com 1.458 casos. Para especialistas, o crescimento contínuo evidencia falhas estruturais na prevenção desse tipo de crime.
“Se a alta de casos está acontecendo, isso é uma omissão do Estado, porque esse é um crime evitável”, afirmou Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), durante o lançamento do relatório anual da Human Rights Watch (HRW), nesta quarta-feira (4).
Violência de gênero segue entre as principais violações de direitos humanos
O relatório da HRW, que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países, aponta a violência doméstica e de gênero como uma das violações mais recorrentes no Brasil. Segundo Samira Bueno, a falha na proteção das mulheres envolve todas as esferas de poder.
“Vivemos hoje o desfinanciamento dessas políticas, especialmente nos níveis municipal e estadual, que são responsáveis pela rede de proteção, assistência social, saúde e segurança pública”, destacou.
A especialista ressaltou que não é possível proteger a vida de meninas e mulheres sem recursos humanos e financeiros adequados, apesar do discurso recorrente de autoridades em defesa da causa.
“Essa é uma bandeira que muitos políticos gostam de carregar, mas quando chega o momento de garantir orçamento, os recursos não chegam”, afirmou.
Governo lança pacto nacional contra o feminicídio
Como resposta ao avanço dos casos, o governo federal lançou, em parceria com o Congresso Nacional e o Poder Judiciário, o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio. A iniciativa prevê uma atuação integrada e permanente entre os Três Poderes para prevenir a violência contra mulheres e meninas.
O plano inclui o lançamento do site TodosPorTodas.br, que vai concentrar informações sobre o pacto, divulgar ações governamentais, apresentar canais de denúncia e políticas públicas, além de incentivar o engajamento da sociedade civil e do setor privado.
Casos com grande repercussão em 2024
No ano passado, diversos casos de feminicídio ganharam destaque na imprensa e nas redes sociais. Entre eles, o assassinato de Tainara Souza Santos, que foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê, em São Paulo, chocou o país e reacendeu o debate sobre a violência contra mulheres.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada