Joenia informou que pretende indicar o nome da antropóloga Mislene Metchacuna, para assumir a presidência da Funai após sua saída. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Última modificação em 3 de fevereiro de 2026 às 08:41
A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, anunciou nesta segunda-feira (2) que deixará o comando do órgão para disputar as eleições de 2026. À frente da Funai há três anos, ela se tornou a primeira mulher indígena a presidir a instituição.
Segundo Joenia, a decisão atende às exigências da legislação eleitoral, que determina a desincompatibilização de ocupantes de cargos públicos que pretendem concorrer a cargos eletivos. “Para concorrer, tenho que deixar o cargo para atender à legislação eleitoral. Por isso, em março, vou deixar a presidência da Funai”, afirmou.
Indicação para a presidência da Funai
Joenia informou que pretende indicar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o nome da antropóloga Mislene Metchacuna, indígena do povo Tikuna, para assumir a presidência da Funai após sua saída.
O anúncio foi feito durante uma agenda do governo federal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
Disputa eleitoral em 2026
De acordo com apuração do g1, Joenia Wapichana pretende disputar uma vaga de deputada federal, cargo que ocupou entre 2019 e 2022. Na última eleição, ela tentou a reeleição pelo partido Rede, mas não obteve votos suficientes.
Pela legislação eleitoral brasileira, autoridades que ocupam cargos públicos precisam se afastar das funções até seis meses antes do pleito para concorrer às eleições. O prazo final para desincompatibilização em 2026 é 4 de abril.
Mudanças no governo federal
A saída de Joenia ocorre em um contexto mais amplo de reorganização no governo federal. A expectativa é de que ao menos 20 ministros deixem seus cargos nos próximos meses para disputar as eleições. Entre os nomes citados estão o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT).
Trajetória marcada pelo pioneirismo
Indígena do povo Wapichana, Joenia Wapichana é advogada e tem uma trajetória marcada por feitos inéditos. Foi a primeira mulher indígena advogada do Brasil, a primeira indígena eleita para a Câmara dos Deputados e a primeira advogada indígena a se pronunciar no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), durante o julgamento que homologou a demarcação contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Durante o atual governo, a Funai passou por uma mudança estrutural e deixou de integrar o Ministério da Justiça e Segurança Pública, passando a fazer parte do recém-criado Ministério dos Povos Indígenas.
Fonte: G1