A Operação Escama integra um contexto maior de ações da Polícia Federal em Roraima. Foto: Divulgação / Secom RR
Última modificação em 23 de janeiro de 2026 às 10:48
O ex-deputado estadual Masamy Eda e o irmão dele, Hemyson Eda, estão entre os alvos da segunda fase da Operação Escama, deflagrada nesta sexta-feira (23) pela Polícia Federal (PF) em Roraima. A ação investiga suspeitas de fraudes em licitações para o fornecimento de merenda escolar à Secretaria Estadual de Educação e Desporto (Seed).
Além dos irmãos Eda, outras seis pessoas também tiveram mandados cumpridos pela PF, que incluiu buscas e apreensões em residências e empresas ligadas aos investigados, bem como o bloqueio de mais de R$ 45,3 milhões em bens e contas para assegurar um possível ressarcimento aos cofres públicos.
A operação mira irregularidades em um processo licitatório estimado em mais de R$ 11 milhões, com indícios de que empresas envolvidas forneceram produtos em desconformidade com o contrato, comprometendo a qualidade da alimentação escolar e, possivelmente, beneficiando companhias que não teriam estrutura operacional compatível com o objeto contratado.
Segundo relatos de investigações anteriores, há indícios de que o contrato em questão teria autorizado a compra de itens como tambaqui — um peixe valorizado por seu alto valor nutricional — mas que, na prática, outras espécies de menor qualidade teriam sido entregues, o que poderia representar desvio de recursos públicos e prejuízo à merenda dos estudantes.
A PF também aponta que algumas empresas envolvidas poderiam operar como empresas de fachada, sem real capacidade técnica ou estrutura para atender às exigências contratuais.
A primeira fase da Operação Escama, que deu origem às apurações atuais, foi deflagrada em agosto de 2025 e já investigava irregularidades na execução dos contratos de merenda escolar da Seed, em um esquema que envolvia produtos entregues em desacordo com as especificações contratuais — um problema que pode atingir diretamente a qualidade da alimentação dos alunos da rede pública de ensino estadual.
A Seed, na época, afirmou em nota que “todas as contratações obedecem aos trâmites legais e estão sujeitas à fiscalização dos órgãos de controle competentes” e que colaboraria com as investigações.
Medidas cautelares e consequências
Além do bloqueio de bens, a Justiça Federal determinou a suspensão temporária das atividades econômicas das empresas investigadas, a interrupção de contratos públicos em andamento e a proibição de participação em novos processos licitatórios enquanto durar a investigação — medidas que visam prevenir novos danos ao erário e garantir a efetividade das apurações.
A Operação Escama integra um contexto maior de ações da Polícia Federal em Roraima voltadas ao combate a fraudes e desvios de recursos públicos, incluindo outras operações em setores como manutenção de estradas, desvio de verbas e fraude em licitações, que refletem um padrão de fiscalização mais intenso no estado nos últimos anos.
Fonte: PF
Por: M3 Comunicação Integrada