Foto: M3 Comunicação Integrada
Última modificação em 22 de janeiro de 2026 às 11:48
A atuação do Exército Brasileiro em Roraima foi intensificada ao longo de 2025, com destaque para o fortalecimento das chamadas operações espelhadas, realizadas de forma simultânea com forças armadas de países vizinhos. As ações fazem parte da estratégia de proteção da Amazônia e de combate a crimes transnacionais, como o garimpo ilegal, tráfico e descaminho.
Segundo o comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, general Roberto Angrizani, Roraima ocupa posição estratégica na defesa nacional por concentrar duas fronteiras internacionais e estar inserida em uma região sensível do ponto de vista ambiental e geopolítico. “A fronteira não divide, ela integra. Mas é também por onde o crime tenta escapar”, afirmou.
Atualmente, cerca de 3.500 militares atuam no estado, incluindo 85 mulheres e 188 indígenas, todos voluntários. A presença indígena é considerada fundamental para o sucesso das operações em área de selva, sobretudo pela expertise em locomoção e reconhecimento do território.
Em média, o Exército realiza 35 operações por mês, mobilizando aproximadamente 431 militares por dia. Apenas em 2025, foram contabilizadas mais de 240 operações de reconhecimento na faixa de fronteira e oito grandes operações integradas com órgãos federais e estaduais, que resultaram em uma movimentação econômica superior a R$ 393 milhões.
Entre as principais ações estão as operações Ágata, voltada ao controle de fronteiras; Controle, de combate à entrada de ilícitos e migrantes por rotas ilegais; Roraima, voltada à defesa da Pátria; Acolhida, no apoio humanitário a migrantes; e a Operação Catrimani, focada na desintrusão de garimpeiros da Terra Indígena Yanomami.

Em andamento desde abril de 2024, a Operação Catrimani já soma mais de R$ 645 milhões em resultados, com a destruição de estruturas ilegais, inutilização de pistas clandestinas e apreensão de minerais. Para ampliar a efetividade da ação, o Exército inaugurou, em 2025, um destacamento especial em Waikás, dentro do território indígena.
Um dos principais avanços operacionais tem sido a atuação conjunta com o Exército da Guiana. As operações espelhadas buscam evitar a migração de criminosos entre países durante ações de repressão. “Quando combatíamos o garimpo aqui, eles migravam para a Guiana. Hoje atuamos ao mesmo tempo”, explicou o general. A expectativa é que, futuramente, a Venezuela também passe a integrar esse modelo de cooperação.
As operações começaram no intuito de sufocar o crime e evitar fuga de criminosos por meio dessas fronteiras. Ainda que as legislações sejam diferentes, o crime é coibido em ambos os países. Ainda de acordo com o general, nessas ações não é realizada a entrada do exército brasileiro nos países vizinhos, contudo há troca de informações e reuniões estratégicas.
Contudo, Angrizani reforça que na Venezuela isso não tem acontecido há algum tempo mas que há um esforço em fortalecer essas relações novamente . “Temos um adido do exército brasileiro em Caracas que está presente e busca esse diálogo. Portanto, temos certeza que em breve teremos uma atuação conjunta”, pontuou.
Por: M3 Comunicação Integrada