Paulo Pinto/Agência Brasil. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Última modificação em 14 de janeiro de 2026 às 10:56
O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta semana.
Segundo relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a vacina recombinante adjuvada foi considerada não custo-efetiva, principalmente em razão do alto impacto orçamentário para o SUS, apesar do reconhecimento de sua importância clínica na prevenção da doença.
O imunizante é indicado para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. Ainda assim, o comitê avaliou que o preço atualmente praticado inviabiliza sua incorporação em larga escala.
“O Comitê de Medicamentos reconheceu a relevância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas apontou a necessidade de negociações adicionais de preço para que o impacto orçamentário se torne sustentável”, destaca o relatório da Conitec.
Custo elevado pesou na decisão
De acordo com os cálculos apresentados, a vacinação de 1,5 milhão de pessoas por ano teria um custo estimado de R$ 1,2 bilhão anuais. No quinto ano, a imunização dos cerca de 471 mil pacientes restantes demandaria mais R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total alcançaria aproximadamente R$ 5,2 bilhões, valor considerado incompatível com os critérios de custo-benefício adotados pelo SUS.
A portaria ressalta que a decisão poderá ser revista caso novos estudos, evidências ou propostas de redução de preço sejam apresentados à Conitec.
O que é o herpes-zóster
O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado ao longo da vida, especialmente em pessoas idosas ou com o sistema imunológico comprometido.
Os primeiros sintomas incluem dor, queimação, coceira e sensibilidade na pele, além de febre baixa e mal-estar. Em seguida, surgem lesões cutâneas em forma de bolhas, geralmente restritas a um lado do corpo e acompanhando o trajeto de um nervo. O quadro costuma durar de duas a três semanas.
Embora a maioria dos casos evolua para cura espontânea, a doença pode provocar complicações graves, como dores crônicas, problemas neurológicos, oculares e auditivos.
Tratamento disponível no SUS
O SUS oferece tratamento para o herpes-zóster conforme a gravidade do caso. Em situações leves, o atendimento é feito com medicamentos para alívio da dor, febre e coceira, além de orientações sobre cuidados com a pele. Para pacientes idosos, imunocomprometidos ou com maior risco de complicações, é indicado o uso do antiviral aciclovir.
Dados do SUS apontam que, entre 2008 e 2024, foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações por herpes-zóster no Brasil. Já entre 2007 e 2023, a doença causou 1.567 mortes, sendo 90% dos óbitos em pessoas com 50 anos ou mais, e mais da metade em idosos acima de 80 anos.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada