Entidade diz que tratado amplia 8% para 36% o acesso de produtos brasileiros ao comércio mundial. Foto: Divulgação / Mercosul
Última modificação em 9 de janeiro de 2026 às 09:54
Após mais de duas décadas de negociações, os países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9) o acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura do tratado já na próxima semana. O pacto deve se tornar o maior acordo de livre-comércio já firmado pelo bloco europeu.
A aprovação ocorreu durante reunião de embaixadores da UE em Bruxelas, segundo informações de agências internacionais com base em fontes diplomáticas. A decisão avançou mesmo diante da resistência de países como França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda. A Bélgica optou pela abstenção.
Os Estados-membros ainda têm até as 13h (horário de Brasília) para formalizar seus votos por escrito. Mesmo com o aval político, o acordo ainda precisará passar pelo crivo do Parlamento Europeu antes de entrar em vigor.
O entendimento põe fim a 26 anos de negociações entre a Comissão Europeia e o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A dimensão do tratado envolve um mercado estimado em cerca de 700 milhões de pessoas.
Salvaguardas para proteger a agricultura europeia
A aprovação só foi possível após a inclusão de mecanismos de proteção ao mercado agrícola europeu. As chamadas salvaguardas permitem o monitoramento mais rigoroso das importações vindas do Mercosul e a adoção automática de medidas de contenção caso haja aumento significativo na entrada de produtos.
A Itália liderou a proposta de redução do gatilho para acionamento dessas salvaguardas, de 8% para 5% de crescimento das importações. Ainda não há confirmação se essa alteração será incorporada ao texto final do acordo.
Impacto geopolítico e interesses econômicos
Para a União Europeia, o acordo é visto como um movimento estratégico diante da crescente influência da China na América Latina e do aumento das tensões no comércio global, especialmente com o uso mais frequente de tarifas pelos Estados Unidos.
Setores europeus como o automotivo, aviação, máquinas industriais e exportações agrícolas — incluindo vinhos e queijos — estão entre os principais beneficiados com a redução de tarifas prevista no tratado.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai na próxima semana para a assinatura formal do acordo. Depois disso, além da aprovação do Parlamento Europeu, partes do tratado que extrapolam a política comercial precisarão ser ratificadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros da UE.
Fonte: Agência Brasil