O objetivo é avaliar estruturas de saúde, profissionais, vacinas e outros insumos. Foto: Agência Brasil
Última modificação em 6 de janeiro de 2026 às 10:56
O Ministério da Saúde enviou uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. A missão é avaliar a capacidade da rede de saúde, incluindo estruturas hospitalares, número de profissionais, estoque de vacinas e disponibilidade de insumos.
Segundo o ministério, a ação faz parte da elaboração de um plano de contingência diante de um possível aumento da demanda por atendimentos na região fronteiriça, em razão do agravamento da crise internacional após o ataque militar conduzido pelos Estados Unidos contra a Venezuela.
Em nota, a pasta informou que, até o momento, o fluxo de migrantes permanece estável, sem alteração significativa na entrada de venezuelanos no Brasil.
As equipes enviadas ao estado têm experiência em situações de emergência e desastres e estão mapeando unidades de saúde, além de avaliar a possibilidade de ampliação da capacidade hospitalar.
Caso haja aumento repentino da demanda, o governo federal admite a instalação de hospitais de campanha e a expansão de estruturas já existentes, com o objetivo de reduzir impactos sobre o sistema público de saúde.
O Ministério da Saúde também informou que está à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para ações de ajuda humanitária, incluindo o envio de medicamentos e insumos para tratamentos de diálise. O principal centro de distribuição desse tipo de material na cidade venezuelana de La Guaira foi destruído durante os ataques.
No comunicado, a pasta reforçou que o SUS garante atendimento integral a todas as pessoas em território brasileiro, incluindo migrantes em áreas de fronteira, independentemente da nacionalidade ou situação migratória.
Contexto da crise
No último sábado (3), explosões atingiram bairros de Caracas, capital da Venezuela, durante uma ofensiva militar dos Estados Unidos. Na operação, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores, foram capturados por forças norte-americanas e levados para Nova York.
A ação marca um novo episódio de intervenção direta dos EUA na América Latina. A última invasão do tipo ocorreu em 1989, no Panamá, quando militares americanos prenderam o então presidente Manuel Noriega, acusado de narcotráfico.
Assim como no caso panamenho, o governo dos Estados Unidos acusa Maduro de liderar um suposto cartel conhecido como “Cartel de los Soles”, embora especialistas em tráfico internacional de drogas questionem a existência e as provas relacionadas à organização.
Durante o governo de Donald Trump, os Estados Unidos chegaram a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro.
Analistas avaliam que a operação tem motivações geopolíticas, como o afastamento da Venezuela de aliados estratégicos dos EUA, como China e Rússia, além do interesse no controle sobre o setor petrolífero do país, que possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.