O atraso na entrada das crianças na pré-escola no período pandêmico, repercutindo ainda no ingresso no ensino fundamental. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Última modificação em 3 de dezembro de 2025 às 11:48
A proporção de crianças de 6 a 10 anos matriculadas na série adequada voltou a ficar abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de covid-19. Em 2024, 90,7% delas estavam na etapa correta, praticamente o mesmo resultado de 2023 (90,8%), mas ainda distante dos 95,7% observados em 2019.
Os dados integram a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada nesta quarta-feira (3) pelo IBGE. O instituto utiliza a Taxa Ajustada de Frequência Escolar Líquida (Tafel), que mede a proporção de estudantes que frequentam ou já concluíram a etapa adequada para a idade.
A pesquisa não foi realizada em 2020 e 2021 por causa da pandemia. Em 2022, o índice chegou a 91,9%.
Entrada atrasada explica o problema
Segundo a analista do IBGE Luanda Chaves Botelho, o impacto da pandemia ainda aparece nas séries iniciais.
“Decorre, principalmente, do atraso da entrada das crianças na pré-escola no período pandêmico, repercutindo ainda no ingresso no ensino fundamental”, explicou.
A pré-escola é obrigatória para crianças a partir dos 4 anos que fazem aniversário até 31 de março.
Faixa de 11 a 14 anos melhora, mas segue fora da meta
Entre estudantes de 11 a 14 anos, 89,1% estavam na série adequada em 2024 — acima do pré-pandemia (87,4%). Mesmo com o avanço, o índice segue abaixo da meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê que 95% dos jovens de 14 anos concluam o ensino fundamental.
Outro indicador fora das metas do PNE é o acesso à escola entre crianças de até 5 anos.
Educação infantil fica abaixo do esperado, embora avance
- Crianças de até 3 anos: 39,7% estavam em creches em 2024. A meta do PNE é 50%.
Apesar disso, este é o maior índice desde o início da série histórica, em 2016 (30,3%). Em 2023, o percentual era de 38,6%. - Crianças de 4 e 5 anos: 93,5% estavam na pré-escola — também o maior índice desde 2016. A meta é a universalização, ou seja, praticamente todos.
Os principais motivos apontados para crianças estarem fora da escola foram:
Até 3 anos
- Opção dos pais ou responsáveis: 59,9%
- Falta de vaga ou escola que não aceita pela idade: 33,3%
- Outros: 6,8%
De 4 e 5 anos
- Opção dos pais ou responsáveis: 48,1%
- Falta de vaga ou escola que não aceita pela idade: 39,4%
- Outros: 12,5%
Desigualdades persistem nos anos de estudo
A média de anos de estudo entre jovens de 18 a 29 anos subiu de 11,1 anos em 2016 para 11,9 anos em 2024, ainda abaixo da meta do PNE, que é de 12 anos.
A pesquisa aponta desigualdades dentro desse grupo:
- Brancos têm 12,5 anos de estudo, enquanto pretos e pardos têm 11,5.
- Jovens nos 25% mais pobres registram 10,6 anos de estudo.
- Já entre os 25% mais ricos, a média sobe para 13,5 anos.
Fonte: Agência Brasil
Por: M3 Comunicação Integrada