De acordo com a OMS, quase 59 milhões de vidas foram salvas nesse período graças às doses. Foto: OMS
Última modificação em 28 de novembro de 2025 às 12:06
Os casos de sarampo no mundo despencaram 71% entre 2000 e 2024, chegando a cerca de 11 milhões, segundo um relatório divulgado nesta sexta-feira (28) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A razão principal para essa queda? A vacinação. De acordo com a OMS, quase 59 milhões de vidas foram salvas nesse período graças às doses que muita gente recebe ainda na infância. As mortes diminuíram quase 88%, caindo para 95 mil em 24 anos.
Apesar da melhora, o sarampo deu uma reagida no ano passado. Os casos subiram 8% em relação ao período antes da pandemia, lá em 2019. Mesmo assim, as mortes caíram 11%, principalmente porque o aumento ocorreu em países de renda média, onde a taxa de mortalidade é menor.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, lembrou que o sarampo é “o vírus mais contagioso do mundo” e que qualquer brecha na proteção vira oportunidade para o vírus circular. Segundo a agência, essa é normalmente a primeira doença a voltar quando a vacinação começa a cair. Surtos, mesmo pequenos, mostram fragilidades nos sistemas de saúde e na imunização.
Kate O’Brien, diretora de imunização da OMS, reforçou o alerta: quedas na cobertura podem abrir espaço também para outras doenças que já estavam controladas, como difteria, coqueluche e poliomielite.
Em 2024, 59 países registraram surtos grandes ou preocupantes — quase três vezes mais que em 2021 e o maior número desde a pandemia. Até países ricos, que já tinham eliminado a doença, voltaram a registrar casos. O Canadá perdeu recentemente o status de eliminação do sarampo após um surto que durou um ano. Estados Unidos e México também enfrentaram milhares de casos e algumas mortes.
A OMS chamou atenção ainda para os cortes de financiamento na rede global de laboratórios e nos programas de vacinação, o que pode deixar o mundo mais vulnerável e abrir caminho para novos surtos em 2025. A situação ficou mais apertada depois que os Estados Unidos, maior doador, anunciaram sua saída em janeiro.
Segundo o relatório, 84% das crianças no mundo receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo em 2023, número que ainda não voltou ao nível pré-pandemia. Já a segunda dose chegou a 76%. Para barrar de vez o sarampo, o ideal é que os países alcancem 95% de cobertura com as duas doses — que protegem em 97% dos casos.
Fonte: Reuters