Professor e doutor em economia, Haroldo Amoras. Foto: M3 Comunicação Integrada
Última modificação em 13 de novembro de 2025 às 12:19
O episódio #41 do podcast Papo M3 Realidades vai ao ar nesta quinta-feira (13) e tem um convidado com um vasto conhecimento sobre economia e sobre Roraima. O professor e doutor em economia Haroldo Amoras.
Ao longo da conversa, Amoras abordou o desenvolvimento econômico de Roraima e a integração com a Guiana foram temas centrais de uma conversa que abordou desde o potencial mineral da região — especialmente a presença de terras raras — até os desafios logísticos e tecnológicos para transformar essas riquezas em oportunidades sustentáveis.
Agropecuária, terras raras e o futuro de Roraima
Haroldo abordou o potencial agropecuário de Roraima e falou também sobre o futuro do Estado. Entre os temas abordados, as chamadas terras raras, que compõem um grupo de 17 elementos minerais estratégicos.
Esses minerais são utilizados na produção de tecnologias de ponta, como smartphones, veículos elétricos, sistemas de defesa, foguetes e equipamentos de inteligência artificial. De acordo com Haroldo, esses elementos serão fundamentais para a transição energética global e o avanço de inovações em diversos setores da economia.
Segundo a análise apresentada, a cadeia produtiva das terras raras exige capital intensivo, tecnologia de alto nível e conhecimento especializado — fatores que ainda são concentrados em poucos países.
Atualmente, a China domina cerca de 60% da produção mundial e 85% do refino desses elementos, configurando um cenário de dependência tecnológica global. Estados Unidos, Rússia e Austrália completam o grupo de potências que controlam o mercado.
Desenvolvimento econômico e interesses comerciais
Nesse contexto, o especialista destacou que a exploração de terras raras em países em desenvolvimento depende fortemente de parcerias internacionais, uma vez que a tecnologia necessária para o refino e a aplicação industrial ainda não está amplamente disponível fora desses polos.
“Estados não têm amigos — têm interesses. As cooperações precisam ser estruturadas em bases econômicas sólidas”, observou Amoras.
Além do tema mineral, o debate trouxe à tona o papel estratégico da Guiana como elo logístico fundamental para o escoamento da produção roraimense e a ampliação do comércio exterior.
Com a conclusão da estrada que liga Roraima ao país vizinho, o acesso a portos no Atlântico pode reduzir custos de transporte, aumentar a competitividade dos produtos locais e abrir novas rotas para exportação, especialmente de commodities como soja, milho e carne bovina.
“Roraima é um estado insulado, com custos logísticos historicamente altos. O acesso ao mar, por meio da Guiana, é essencial para romper esse isolamento e conectar o estado aos grandes mercados internacionais”, destacou o professor.
Planejar para colher frutos o futuro
Por fim, ele fez um alerta sobre a necessidade de planejamento econômico e gestão responsável dos recursos naturais, citando como exemplo os erros cometidos pela elite venezuelana, que desperdiçou parte da riqueza gerada pelo petróleo. “Tomara que a Guiana não cometa o mesmo erro e invista o excedente em diversificação produtiva e desenvolvimento humano”, afirmou.
A expectativa é que a cooperação entre Roraima e Guiana avance de forma equilibrada, combinando integração econômica, inovação tecnológica e sustentabilidade, de modo a transformar o potencial regional em prosperidade compartilhada.
A entrevista completa já está disponível no perfil oficial do podcast Papo M3 Realidades.
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Por: M3 Comunicação Integrada