Lideranças indígenas representantes de organizações parceiras, autoridades do governo federal e parlamentares fazem parte dos debates. Foto: Po Yre/ISA
Última modificação em 10 de novembro de 2025 às 09:49
A Hutukara Associação Yanomami estará entre as organizações que representarão os povos indígenas na 30ª Conferência do Clima (COP 30), em Belém (PA). A entidade integra a mesa “Soluções Territoriais para o Clima”, que acontece no dia 12 de novembro, às 15h, na Sala 9 da Zona Azul, e reunirá lideranças indígenas e quilombolas de várias regiões do país para apresentar estratégias locais de adaptação às mudanças climáticas.
Promovido pela Rede de Cooperação Amazônica (RCA), pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Operação Amazônia Nativa (OPAN), o evento busca destacar o papel dos conhecimentos tradicionais na construção de políticas globais de adaptação e resiliência.
“Em um contexto em que a adaptação emerge como tema central, é fundamental reconhecer e integrar os conhecimentos e as ações desses grupos, que estão mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas”, afirmou Andreia Fanzeres, coordenadora do Programa de Direitos Indígenas da OPAN.
Saberes locais, impacto global
A mesa contará com lideranças como Davi Kopenawa (Hutukara Associação Yanomami – AM e RR), Cleide Terena (Associação Thutalinãnsu, MT), Luene Karipuna (Associação Mulheres Indígenas em Mutirão, AP), Katia Penha (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, ES) e Ewesh Yawalapiti Waurá (Rede Xingu+, MT).
O objetivo é mostrar como as comunidades indígenas e tradicionais já desenvolvem soluções concretas frente aos desafios climáticos — como secas, enchentes e insegurança alimentar — e como essas experiências podem inspirar políticas internacionais de adaptação.
“Esperamos qualificar o debate sobre adaptação climática, conectar as entidades engajadas com o debate global e influenciar as negociações da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas”, destacou Ciro Brito, analista de políticas climáticas do ISA.
Vozes da floresta na agenda global
A iniciativa pretende contribuir com as discussões sobre o Objetivo Global de Adaptação (GGA), um dos principais temas da COP 30. A expectativa é que as propostas dos povos da floresta influenciem diretamente o marco global de adaptação que está sendo construído no âmbito da ONU.
Para Luene Karipuna, representante da RCA, a escuta dessas comunidades é essencial:
“Nós observamos as mudanças do território e aprendemos com ele, mesmo diante dos impactos graves. Esses saberes tradicionais são exemplos reais de estratégias de adaptação às mudanças climáticas.”
Com a presença da Hutukara, a COP 30 ganha uma dimensão ainda mais simbólica: a das soluções que nascem do território, sustentadas pela experiência ancestral dos povos indígenas e por uma visão de futuro enraizada na convivência com a floresta.
Fonte: Operação Amazônia Nativa – OPAN
Por: M3 Comunicação Integrada